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Racismo institucional: o que é e seu impacto no mercado de trabalho

Principais consequências são desigualdade salarial e de oportunidades entre brancos e pretos
homem negro de terno e gravata

O racismo institucional é uma forma de discriminação – silenciosa ou não – que privilegia determinadas pessoas apenas em função da sua raça. O maior problema do racismo institucional é que ele ocorre tão frequentemente no nosso dia a dia que muitas vezes nem percebemos. 

O que é racismo institucional?

Racismo institucional é a desigualdade de tratamento entre negros e brancos que ocorre dentro das instituições. Ou seja, quando alguém recebe um tratamento diferente por ser negro em uma empresa, esse é um caso de racismo institucional. Quando alguém tem privilégios – mesmo que indiretamente – por se branco, também. O mesmo vale para esse tipo de discriminação em órgãos públicos, associações, clubes, entre outros. 

Um pouco de história: racismo no Brasil

O racismo no Brasil existe há muito tempo, desde a escravidão, e, infelizmente, parece estar longe do fim. Prova disso é que, ainda hoje, a renda mensal dos trabalhadores pretos equivale a 55,8% da dos brancos, segundo dados mais recentes do IBGE.

Ainda que em 13 de maio de 1888 tenha sido promulgação da Lei Áurea, que proibiu a escravidão, não houve de fato a criação de políticas de inserção dos negros no mercado de trabalho e na educação. Além disso, é preciso observar que ao mesmo tempo que deixaram de ser escravos, os negros perderam as mínimas condições de sobreviência que tinham e passaram a nao ter o que comer e nem onde morar.

Qual é a diferença entre racismo institucional e estrutural?

O racismo institucional é a discriminação que ocorre em instituições públicas ou privadas que, de forma direta ou indireta, promove a exclusão ou o preconceito racial. Em empresas, por exemplo, o fato de haver um número muito menor de negros em cargos de gestão é um forte indício de racismo institucional. 

O racismo estrutural, por outro lado, é uma forma de discriminação mais difícil de perceber porque é formado por um conjunto de falas, hábitos e situações que acaba promovendo a segregação ou o preconceito racial sem que as pessoas se deem conta. 

Frases racistas, por exemplo, são ditas todos os dias e muitas vezes nós nem nos damos conta do preconceito que está embutido nelas. Exemplos?

  • “Pensa que eu sou tuas negas?”
  • “Ela trabalha como doméstica.”
  • “Eu não quero denegrir a imagem de ninguém.”

Sobre isso, confira o nosso post completo Frases racistas que você deve parar de usar.

Casos de racismo institucional

Existem muitos exemplos de racismo institucional que ocorrem rotineiramente. Nem sempre nos damos conta dessas situações no momento em que acontecem. 

Um exemplo é o segurança de uma empresa abordar um novo profissional que chega ao trabalho apenas por ser negro.

Outro exemplo é priorizar a contratação de pessoas brancas. Ainda que não exista essa orientação declarada, muitas vezes ocorre de o profissional preto ser preterido sem que haja uma justificativa objetiva. 

O mesmo pode ocorrer em situações em que dois profissionais – um branco e um preto – disputam uma promoção na empresa. 

Quer mais? Uma pesquisa recente apontou que, atualmente, os grandes escritórios de advocacia do Brasil têm menos de 1% de advogados negros. O dado foi citado por Robson de Oliveira, em coluna na Carta Capital

Quais são os impactos no mercado de trabalho?

No mercado de trabalho, os principais impactos do racismo são a desigualdade salarial entre brancos e negros, a maior taxa de desocupação entre negros e a falta de representatividade dos negros em cargos de gestão em empresas de todos os segmentos. 

Como dissemos ali em cima, a renda mensal dos trabalhadores pretos equivale a 55,8% da dos brancos, segundo dados mais recentes do IBGE. Isso significa que, na prática, o rendimento médio dos trabalhadores brancos foi de R$ 2.999, enquanto o dos pretos ficou em R$ 1.673. Os trabalhadores que se declararam pardos tiveram em 2019 renda média de R$ 1.719 por mês. O valor equivale a 57,3% do rendimento médio dos brancos. 

Como se não bastasse a diferença salarial, o desemprego entre os negros é muito maior do que entre os brancos. Dados bem recentes, já do período da pandemia, indicam que a diferença entre as taxas de desocupação da população que declara ter a pele preta e a que diz ter a pele branca atingiu, no segundo trimestre deste ano, o maior nível da série da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, iniciada em 2012.

No segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego geral ficou em 13,3%. Entre os pretos, ela alcançou 17,8%. Entre os pardos, 15,4%. E, entre os brancos, 10,4%. 

E tem mais. A taxa de desemprego entre os pretos foi a que mais cresceu em comparação com o primeiro trimestre, com aumento de  2,6 pontos percentuais. 

Além dos dados, devemos considerar que o racismo institucional inibe a diversidade racial nas empresas, o que consequentemente inibe também a diversidade de opiniões, de experiências, de vivência e a capacidade de inovação. 

Como evitar o crescimento do racismo nas empresas

A melhor forma de combater o racismo institucional é a conscientização. É preciso criar consciência do quanto o racismo está presente no dia a dia das instituições, da forma mais velada que seja. 

Outra forma eficiente de lutar contra o racismo institucional é adotar ações afirmativas como forma de promover a igualdade racial. Essa estratégia vem sendo tomada por diversas empresas que querem tornar seus processos seletivos mais justos e promover oportunidades para todas as pessoas.

Nas empresas, ações afirmativas são programas ou políticas que servem como um meio para que as pessoas de grupos historicamente excluídos (como negros ou pessoas trans, por exemplo) possam ter as mesmas oportunidades de pessoas que não fazem parte desses grupos.

O programa de trainee apenas para pessoas negras, anunciado pelo Magazine Luiza em setembro, é um exemplo de ação afirmativa. Como dizia o comunicado da empresa: “O objetivo do Magalu com o programa é trazer mais diversidade racial para os cargos de liderança da companhia, recrutando universitários e recém-formados de todo Brasil, no início da vida profissional”.

O programa aceitava candidatos formados de dezembro de 2017 a dezembro de 2020, em qualquer curso superior, e não exigia conhecimento de inglês e experiência profissional anterior, requisitos que muitas vezes afastam pessoas menos privilegiadas. 

Saiba mais sobre o assunto em nosso post completo Ações afirmativas: como elas combatem o racismo no mercado de trabalho.

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