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Quando perder tempo pode ser mortal

Por Alan Santos

Nota: o texto a seguir contém spoilers.

Fim do dia e perde-se três horas no trânsito para chegar de volta em casa. As pessoas usam o tempo como podem. Vão tomar uma cerveja, estudar inglês, exercitar o corpo na academia. Fim do mês e o que resta na conta bancária é o que decide entre o whisky no camarote ou o leite fermentado com lactobacilos vivos no sofá da sala.

Tempo e dinheiro podem não ser tão simples de se administrar. Imagine então, se as duas coisas fossem tão próximas a ponto de serem, digamos, a mesma coisa. Para Will Salas (Justin Timberlake) e toda a sociedade que vive em um futuro não muito distante, a situação é bem próxima disso.

A moeda não é mais o dinheiro, mas o tempo. Funciona assim: no dia do aniversário de 25 anos, é disparado um contador luminoso no braço de cada pessoa. É aí que o drama começa, pois se esse tempo esgotar, o indivíduo morre.

Cada um tem uma quantidade de tempo específica usada para a sobrevivência. Quer mais? “Trabaia”, bonitão! Will mora no subúrbio. Assim como tantos outros operários, “vende o almoço para comprar o jantar”. Sem contar a grande possibilidade de ter seu tempo roubado por malfeitores.

Detalhe: ninguém aparenta mais do que os tais 25 anos. Quando a contagem regressiva para a morte se inicia, o processo de envelhecimento termina. Descobrimos isso nas primeiras cenas, quando o rapaz abraça a bela jovem de olhos verdes, chamando-a carinhosamente de mãe. Talvez, a aparente juventude eterna seja o único benefício dessa sociedade estranha.

Pense na cena: A mãe de Will só tem uma hora e meia restante em seu saldo. O preço do ônibus acaba de subir para duas horas. O que fazer? Correr para casa e torcer para chegar antes do sálario acabar e o coração parar de bater. Assista a “O Preço do Amanhã”, uma aventura vertiginosa com leve sabor de crítica social e descubra o que acontece.

E você, ainda vai reclamar quando tiver tempo de sobra parado no trânsito?