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Por que escolher uma profissão é tão difícil

Velocidade do mercado de trabalho transforma crianças em profissionais precoces


por Ana Lisboa*
Escolher uma profissão para entrar no mercado de trabalho não é fácil. Afinal, aos 17 anos, não se sabe exatamente qual cor e corte se deseja para o cabelo, o mundo ainda é um lugar esquisito para se viver. O corpo é um lugar ainda mais esquisito para abrigar uma alma inquieta. A sociedade parece tão interessante quanto um jogo sobre o qual se desconhece a regra. E é justamente nesse momento onde tudo é absolutamente incerto em que somos praticamente obrigados a tomar essa decisão.

Aos 17 anos, aquela velha pergunta “o que você vai ser quando crescer” já perdeu a validade, pois a criança já cresceu. Não o bastante, no entanto, para escolher uma profissão, ganhar seu dinheiro e trabalhar feliz pelos próximos 50 ou 60 anos .

Não estamos querendo induzir ao pensamento de que, uma vez escolhida, não se pode optar por outra carreira, mas a velocidade com que as informações chegam e o grau de exigência do mercado de trabalho está transformando crianças em adultos precoces e, consequentemente, em profissionais precoces, com muitas responsabilidades e poucas expectativas de trabalhar feliz e não morrer de estresse, cardiopatias ou doenças vasculares.

Por que escolher uma profissão é sempre um desafio

O vestibular assola o novo adulto como sua primeira grande responsabilidade. Depois, serão anos de estudos e descobertas na faculdade.

Conheço pessoas de 30 anos ou mais que, embora já tenham feito curso superior, ainda estão se descobrindo profissionalmente. Por mais que se esforcem para se adequar e entender as demandas atuais, esses profissionais imaginam uma carreira e, principalmente, uma remuneração que não faz parte da realidade do mercado de trabalho.

Normalmente são pessoas com perfis generalistas, ou seja, não se especializaram em nenhuma atividade prática e, por estarem sempre mudando o foco de desenvolvimento no trabalho, não evoluem academicamente porque se interessam por tantos assuntos que fica difícil se especializar.

Enquanto isso, o tempo passa, as oportunidades também e a frustração aumenta.

Até que, em alguma entrevista de emprego por aí, alguém pergunta:

– Qual é sua especialidade?
– Devo te contratar por quê?
– Qual seu ponto forte no trabalho?

Frequentemente os profissionais generalistas se perdem nestas respostas, exatamente porque não são seres de um só assunto, de uma só formação.

Mercado de trabalho em evolução

O mercado de trabalho passou por fases bastante contraditórias. Em meados da década de 80, prezava-se o profissional que desenvolvia toda a sua carreira em uma mesma empresa, de preferência em um mesmo departamento, aumentando seu salário com os dissídios e uma ou outra promoção.

Na década de 90, os quadros de funcionários foram reduzidos. Ou seja, menos gente para trabalhar e cumprir a função de todos. A partir daí, os profissionais generalistas, aqueles que fazem de tudo um pouco, passaram a ser mais valorizados.

Os últimos anos têm apresentado um quadro ainda diferente, com profissionais-consultores trabalhando por projetos, preocupados com o começo, o meio e o fim de suas atividades e extremamente voltados às questões financeiras, pois lucratividade é a mola propulsora das empresas modernas.

São preocupados com processo e realizações, normalmente trabalham sem carteira assinada, mas com firma de consultoria aberta, embora sejam considerados “funcionários”.

Hoje em dia, ainda mais com a reforma trabalhista, há muitas modalidades de trabalho.

Para guiar a sua escolha, você pode pedir ajuda a profissionaisespecializados em direcionar carreiras por meio de testes vocacionais que analisam o perfil de cada pessoa e assim determinam aptidões e direcionam para algumas áreas.

Você não precisa confiar cegamente nesses testes, mas pode usar o resultado como norte para suas decisões. O importante é entender se a direção sugerida está de acordo com suas habilidades e vocação. Se estiver, meio caminho já está percorrido percorrido para escolha certa!

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*Ana Lisboa é coach de Vida e Carreira.