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O processo seletivo mais estranho do mundo

por Alan Barros

Pela primeira vez neste espaço, ao fim do texto, onde normalmente se encontra um trailer do filme abordado, o longa-metragem está disponível na íntegra.  Por quê? A bola da vez é “O Exame” (Exam. Hong Kong, 2009), um filme controverso, com um elenco de desconhecidos.  Há quem o classifique como “absurdamente inteligente” – mas “chatão” é outro dos adjetivos que pipocam aqui e ali.

Talvez não seja nem uma coisa nem outra.  Mas, se a expectativa de quem decide assisti-lo é testemunhar explosões ou cenas quentes de romance, a sala de cinema mais próxima pode oferecer uma opção que se encaixe melhor. Por outro lado, se engana quem pensa que não vai reconhecer alguns clichês pelo caminho.  “O Exame”, em alguns momentos, opta pela saída mais fácil, repetindo fórmulas já conhecidas. “Absurdamente” parece mesmo desnecessário.

Dessa vez não dá para contar muito. Estragar as surpresas não é a ideia, por isso, o filme por inteiro. A graça da brincadeira é usar os próprios olhos como juízes e mantê-los bem abertos para todas as provocações que virão.

Do que estamos falando, afinal? Exame, teste, entrevista, frio na barriga, dinâmica, prova, PROCESSO SELETIVO. Familiar?  De certa forma, estamos todos retratados ali, na pele dos poucos personagens. A história se resume ao registro da última etapa da seleção para um cargo importante dentro de uma grande corporação.  A sala onde tudo acontece é pouco iluminada. Paredes, mesas e cadeiras são escuras. A cada um dos oito candidatos é fornecido um lápis e uma folha de papel em que se lê apenas a palavra “CANDIDATE” seguida do respectivo número.

Tensão dos participantes
A tensão natural dos participantes já se percebe enquanto se preparam para sair de casa. Além do ambiente, o representante da empresa não ajuda a diminuir a apreensão.  O homem que se apresenta como Vigilante diz que o sofrimento faz parte do jogo, necessário a quem quiser sobreviver no emprego.

É ele quem dita as regras da disputa:
*Só há uma pergunta a ser respondida e uma única resposta correta;
*Será desclassificado aquele que – sair do local, se comunicar com o Vigilante ou com o guarda armado que fica em um canto da sala ou estragar o papel, mesmo que por acidente.

Não há outra lei na sala, além das definidas pela própria empresa. Antes de se retirar, o Vigilante aciona o contador localizado à frente dos participantes: “Estamos dando a cada um de vocês 80 minutos. 80 minutos para determinar os próximos 80 anos de suas vidas. Comecem!”

Aposto que você deve estar pensando algo como “Meu! E agora?” Pode apostar que algo muito parecido com isso passou pela cabeça desses candidatos. Talvez na forma de palavras menos educadas. O que foi descrito até agora são apenas os momentos iniciais. Consegue imaginar quantas possibilidades podem caber nos 90 minutos que restam? Lembra-se da regra em negrito, acima?

Exam3 ok

Não há como deixar de pensar nos processos seletivos da vida real, principalmente naqueles em que as exigências parecem absurdas. Qual então seria um método justo para os dois lados? Cada vez mais as empresas necessitam de profissionais com perfis muito específicos e muitas vezes têm dificuldades para encontrá-los. Já os candidatos querem ser avaliados sem que precisem ferir seus valores.

O enredo é curioso. Fique atento às falas dos personagens. Tem muita coisa escondida ali. Será que a situação acontece na época atual? Na Terra, mesmo? E o cargo, qual é? Se descobrir, me conta. Certifique-se de que você tem unhas para roer e jamais participe de um processo seletivo com os mesmos olhos.

Assista ao filme aqui. Direção: Stuart Hazeldine, com Adar Beck, Gemma Chan e Natalie Cox no elenco.