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O pequeno “causo” da Marcela

Arquiteto de software da VAGAS vai ao dentista e decifra carreira da recepcionista

por Ronie Uliana*

Ontem fui ao dentista, o doutor Antonio, para ver um obturação que caiu. Enquanto estava lá, de boca aberta, tentando responder com grunhidos ao “dói aqui?” do doutor, a Cris* estava na recepção conversando com a Marcela, a recepcionista.

Logo que saímos, a Cris me descreveu a moça: A Marcela tem 17 anos e está em seu terceiro emprego. O primeiro emprego dela foi no telemarketing, mas não gostou muito porque era xingada, e saiu. No segundo emprego, a Marcela foi recepcionista de uma escola de inglês, mas foi demitida porque ela não atendia os alunos como queriam.

Agora, ela é recepcionista do doutor Antonio em um consultório dentário. Tem a senha do wifi do escritório do lado e troca mensagens via Whatsapp o dia inteiro. Está superfeliz que o Whatsapp vai liberar conversa por voz e ela vai poder conversar o tempo todo.

O que a Marcela não sabe é que, se ela deixar o Whatsapp de lado nesse “tempo livre” e começar a ajudar o doutor Antonio, vai passar de recepcionista (salário: R$ 800 a R$ 1.200) a auxiliar de saúde bucal (salário: R$ 900 a R$ 1.300).

Com um pouco de esforço e um curso no Senac pode chegar a técnica em saúde bucal (salário: R$ 1.200 a R$ 2.000). E no futuro, por que não, se tornar uma dentista formada?

A Marcela não sabe, mas ela está em um momento crucial da sua carreira.

Ou ela pode continuar a falar no Whatsapp.

(Eu e a Cris pensamos nesta história com a linguagem cinematográfica do documentário Ilha das Flores).

*Arquiteto de software da VAGAS.com e um dos criadores do Mapa VAGAS de Carreiras
*Cristina Degani, também da VAGAS.com