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A linha tênue entre admiração e inveja no trabalho

por Lígia Crispino

Se você está no começo da carreira ou ainda não chegou lá, uma das ações interessantes é escolher duas ou três pessoas para serem seu modelo a seguir. Profissionais que tenham características importantes que facilitam o sucesso desejado, que conquistaram o que você valoriza. O exercício é espelhar-se nos pontos positivos desses profissionais, observá-los e aprender com eles o que eles têm de melhor.

Parece uma ação muito simples, não é? Porém, a busca por resultados rápidos, que impera na sociedade moderna, gera a preguiça de fazer o que precisa ser feito para chegar lá. Essa postura não se encaixa na trajetória da maioria desses profissionais bem-sucedidos, uma vez que as conquistas significativas não são alcançadas com o estalar dos dedos.

Além disso, existe outro complicador. Muitas pessoas não conseguem usar essa técnica para o desenvolvimento profissional pela admiração por pessoas experientes e competentes, porque há uma linha tênue entre admiração e inveja, principalmente para os que apresentam limitações.

Segundo o dicionário, admiração é a tendência emocional para demonstrar respeito, estima, consideração ou simpatia por algo ou alguém. Inveja vem do latim invidere que significa não ver. É o sentimento de cobiça à vista da felicidade, da superioridade de outra pessoa. Sensação ou vontade de possuir o que pertence a outra pessoa.

Infelizmente, é possível ver, nas mais diversas empresas, de todos os tamanhos, profissionais sem ética, que passam por cima de outras pessoas em nome de um objetivo. Profissionais que se mostram amigos e, por trás, agem com má fé para encobrir suas incompetências. Diz uma fábula que uma serpente voraz tentava abocanhar um indefeso vagalume. Depois de três dias, eles conversam:

– Posso lhe fazer três perguntas?
– Sim, eu vou devorá-lo de qualquer maneira.
– Serpente, pertenço a sua cadeia alimentar?
– Não.
– Eu lhe fiz algum mal?
– Não.
– Então, por que você quer me comer?
– Porque não suporto ver você brilhar.

Há dois fatos incontestáveis: alguns profissionais têm mais brilho que outros e não há como eliminar a inveja do ambiente corporativo, ela acompanha os seres humanos em qualquer contexto desde sempre. Diante disso, duas conclusões: avalie criteriosamente quem você escolhe para ser seu modelo, porque as pessoas são falíveis, e cuide das suas emoções, porque é possível esmagar uma rosa ao apertá-la com carinho demais. É carinho, mas em excesso, causa danos, às vezes, irreparáveis.

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Lígia Crispino é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e do ProfCerto.Formada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, possui cursos em Marketing de Serviços pela FGV; Gestão de Pessoas pelo Ibmec, Branding e Inteligência Competitiva, ambos pela ESPM; Business English em Boston. É analista quântica e dá palestras sobre comunicação, ensino, gestão de negócios e pessoas.