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Em defesa da não robotização do processo seletivo

por Gisele Meter

O que faz um profissional diferente? É contraditório pensar que a cada dia as empresas busquem profissionais únicos, que se diferenciem e se destaquem se fazem seus processos seletivos, como se estivessem avaliando robôs. Sempre as mesmas perguntas, as mesmas expressões e até o mesmo “dress code”.

É impossível analisar de maneira ampla uma pessoa com apenas alguns minutos de conversa, e isso fica ainda pior quando as perguntas do processo seletivo já são pré-formatadas, no estilo responde ou passa, sem contar que tudo influencia o contexto o ambiente, a tensão do momento.

Não vivemos mais na era “Fordiana” onde os empregados tinham a mesma função de robôs e sua personalidade ou singularidade pouco importava, pois o trabalho braçal era o que valia.

Lidamos com pessoas com as mais diversas potencialidades e cabe a nós, recrutadores de RH saber identificar o melhor de cada candidato.

Esta não é uma tarefa fácil, admito, mas não é algo impossível de ser feito se utilizarmos também o melhor que temos.
O ser humano tem uma capacidade incrível de se colocar no lugar do outro e acho que talvez este seja o segredo de uma entrevista mais humanizada. Ter empatia pelo candidato, não tratá-lo como um produto, uma peça que pode ser substituída, ou um robô.

Sinto ainda que em muitas entrevistas, os profissionais que as conduzem, se colocam em um patamar acima dos candidatos, como se tivessem prestando um favor aos entrevistados, não estão! A relação deve ser de parceria e respeito.

Se de um lado temos uma pessoa que se propõe a mostrar as habilidades que tem em busca de um emprego, de outro temos uma empresa necessitada de um bom profissional que esteja alinhado aos objetivos organizacionais – E isto não é favor algum, ou motivo de achar que a vaga oferecida é o suprassumo da oportunidade, quando na realidade a necessidade é de ambos.

A entrevista mais humanizada é estratégica porque vai ao encontro com a necessidade de candidato e empresa. Pois quando contratamos alguém, não devemos pensar somente se ela se encaixa na vaga, mas se a vaga também se encaixa ao que o candidato espera – Não basta apenas mostrar e dizer: Vista a camisa! Às vezes a camisa não serve.
Procure olhar por outra perspectiva, utilize a criatividade, enxergue além do óbvio, personalize seus processos seletivos de nada adianta fazer tudo igual se pessoas e empresas são diferentes.

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Gisele Meter é psicóloga (CRP 08/18389), empresária, diretora executiva de Recursos Humanos, palestrante, consultora estratégica em gestão de pessoas e gestão de mudança organizacional. Colunista de portais e sites voltados ao público feminino e de Administração, ela também é a idealizadora do método Life® – Liderança Feminina Estratégica para o desenvolvimento de líderes nas empresas.