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Diálogos rumo ao sucesso

Frases que qualquer profissional em começo de carreira poderia ter dito

por Alan Barros
*O texto a seguir contém (vários) spoilers (mas acho que vale a leitura e a reflexão).

Certas coisas são suficientemente universais para que grande parte de nós possa sentir-se relacionado a elas em algum momento da vida. Arrisco dizer que esse é o caso do conflito base que inspirou “O Segredo do Meu Sucesso”, comédia de 1987 estrelada por Michael J Fox. Desconsiderando a tinta forte que dá sabor ao filme, pode-se reconhecer desafios bastante familiares em diálogos espirituosos travados com figuras presentes na vida de qualquer profissional em início de carreira, esteja ele em qualquer cidade do mundo. Essa história, particularmente, se passa nos Estados Unidos.

As conversas com quem te trouxe ao mundo

“Eu não entendo por que ir embora se temos tudo aqui.”
“É uma coisa que eu tenho que fazer, pai.”
“Seu primo era normal antes de ir pra lá. Voltou com a cabeça raspada e um brinco na bochecha.”
“Eu tenho um mundo lá, mãe. É enorme, empolgante. Já consegui um bom emprego e tô até vendo um apartamento legal. Faço isso por você também… Aqueles anos na faculdade vão começar a compensar.”

Brantley Foster, o protagonista, sempre sonhou em sair do Kansas e ir para Nova York.  O discurso sempre está muito alinhado com seus desejos. Ele é firme na argumentação, mesclando aspectos racionais e subjetivos, sem parecer duro demais. Seu carisma é um grande trunfo.  Já instalado na cidade grande, as conversas continuam, pelo telefone:

“Filho, as pessoas são sujas? Estão te tratando bem?”
“As pessoas são boas, mãe. Eu tenho uma sala ótima e uma secretária linda”, responde Foster, encurralado em uma cabine telefônica no fogo cruzado entre policiais e criminosos.

Alguns dos pontos incorporados pelo personagem nessas situações podem ser úteis também na vida real: propósito claro, planejamento, negociação, comprometimento, empatia, habilidade de comunicação.

As entrevistas com os RH´s

A batalha pode ser dura. Às vezes as coisas não saem como planejado. Com Foster não foi diferente:
“Eu estava contando com esse emprego. O que eu faço agora?”
“Lute!”

“Desculpe, senhor Foster, mas precisamos de alguém com experiência.”
“Mas como é que eu vou adquirir experiência até arranjar um emprego que me dê experiência?”

“Posso ficar mais alto, mais velho. Qualquer coisa. Mas quero essa vaga!”
“Você pode se tornar mulher?”

Habilidades percebidas: persistência, disponibilidade, transparência, vontade, resiliência. 

O momento “revolta lúcida” 

“Tá legal, Nova York. Se é assim que você quer, tá bom.” 

Habilidade percebida: não há problema em ficar bravo às vezes. Somos humanos. Para o personagem, em um segundo momento, a raiva serviu como mola propulsora.

Cultivando o networking

Por meio dos novos amigos que conquista, Foster consegue um emprego:

“O que você poderia fazer por nós, Foster?”
“Lá no fundo eu sei que posso fazer qualquer coisa se me derem uma chance, Howard. Recorde quando tinha minha idade e de como se sentiu quando foi procurar seu primeiro emprego e de como precisava tanto dele que nem conseguiu dormir na véspera da entrevista.”

“A senhora parece meio nervosa e eu pensei se não poderia fazer alguma coisa.”
“Eu não sei. Você pensou em quê?” “Goma de mascar?”

“Vera, você não vai contar a ninguém que eu trabalho no setor da correspondência, vai?”
“Por meu intermédio, meu marido consegui acesso aos executivos. Vou fazer o mesmo por você.”

Habilidades percebidas: iniciativa, confiança, tranquilidade, bom senso, bom relacionamento interpessoal.

Boas ideias na cabeça e na ponta da língua

O personagem percebe falhas na empresa e assume a identidade do executivo Carlton Whitfield, para que com ela, possa sugerir mudanças nas reuniões:

“Há requisições para duas áreas diferentes para conseguir a solução de uma terceira. Isso não faz sentido, cara.”
“Ideias dos caras de gravata. Elas interrompem a oxigenação para o cérebro.”

“Whitfield, não precisa levantar a mão. É só falar.”
“Eu sei que eu sou novo aqui e cortes parecem ser uma boa ideia. Mas fechar o centro de distribuição seria uma péssima saída. Acho que o senhor Prescott não ponderou isso direito.”
“Ele vai saber que você disse isso.”
“Ótimo! Fechar aquele centro vai pesar no fluxo de caixa. E a longo prazo vai fazer baixar o valor intrínseco da empresa. Temos que expandir e não cortar.”
“Intrínseco? Do que ele está falando?”

O que se pode concluir? Se ele não tivesse capacidade, nada teria acontecido. Como também não aconteceria para ninguém na vida real. O jovem Brantley levou às últimas consequências a máxima que traduz sucesso como nada mais do que o preparo encontrando a oportunidade. E isso parece não ser produto da ficção dos estúdios de cinema.