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Como demitir um funcionário

por Fátima Motta*

Você nunca pensou em ter de demitir um funcionário, mas… De repente, você conquista uma posição de liderança. Isso, você virou chefe, gerente, gestor, enfim, vai se sentar numa cadeira das mais cobiçadas no mundo corporativo. Agora quem vai mandar é você!

Muito bom, não é?!  Uma sensação de poder, orgulho e recompensa. Junto vem: maior visibilidade, uma mesa maior, às vezes uma sala só para você, um banheiro privativo (luxo!) e um bônus gordo. Só coisa boa!

Mentira! Acreditou nessa? Esqueceu dos ônus, não é?! Junto vem uma carga de trabalho maior, ter que atingir metas, lidar com conflitos (muitos de interesse), planejar, acompanhar, cobrar e… huuuummm, fazer a gestão de pessoas! Ô trem difícil! Desafiador, instigante, envolvente e… trabalhoso, difícil e desgastante. Não há como negar.

E é difícil mesmo, porque na grande maioria das vezes, não somos preparados para gerenciar pessoas. Processos, sim. Mas, pessoas?! Difícil demais. E o que mais acontece é o melhor técnico ganhar a vaga de gerente sem nenhum preparo e treinamento. E daí acontecem muitos erros. Um deles, muuuuuito frequente, é a falta de preparo e sensibilidade para demitir.

Desde que comecei a trabalhar na área de RH láááá em… bem, no  século passado, eu vi acontecer a seguinte situação:  o funcionário é chamado na sala do gestor, que fala meia dúzia de palavras com uma cara muito ruim, no máximo fala que a empresa está passando por um momento difícil, e manda a vítima “descer lá no RH, para conversar sobre a situação dele”.

Como assim, o RH é quem vai conversar?! Você é um gestor ou um “pé de alface”? Tem que assumir essa missão para si. Por respeito e consideração àquele que esteve trabalhando naquela empresa durante algum tempo! Não dá para transferir, triangular, se escorar no RH. É seu papel como gestor lidar com situações difíceis como essa e tantas outras. Não é só se gabar e desfrutar das coisas boas. Precisa se preparar para esse momento, com tato e respeito, sem pessoalizar, e de maneira que o funcionário perceba que está ouvindo uma razão da empresa.

E, pelo amor de Deus, para nunca fazer como aqueles despreparados e com falta de coragem que agem assim:

Gestor: José, quero te informar que, a partir de amanhã, eu não sou mais seu chefe.

Funcionário: Como, chefia, o senhor está saindo?

Gestor: Não, é você!

É sem palavras, né?!

 


*Fátima Motta é coach formada pelo Instituto EcoSocial e certificada pela ICF (International Coach Federation) e tem 30 anos na área de Recursos Humanos, treze deles como gestora no Grupo Andrade Gutierrez. Psicóloga de formação, pós-graduada em RH, atualmente atende dezenas de profissionais e trainees como coach. Fátima Motta é colaboradora exclusiva do Blog do VAGAS.com.br. Não perca as dicas de carreira que ela tem a passar!