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As palavras que usamos dizem muito sobre nós

Comunicação não é o que você diz. É o que os outros entendem.

por Ligia Crispino* 

Todos nós somos definidos por nossas crenças. Crenças são aquelas vozes interiores que nos orientam em nossas ações, pois elas são tudo aquilo em que acreditamos, mesmo não podendo comprovar.

A crença gera um fato. Esse fato tem o objetivo de comprovar a própria crença. Na verdade, transformamos a crença em realidade. A questão é que existem crenças propulsoras e, infelizmente, crenças limitantes.  Qual é o perigo das crenças limitantes? Como o próprio nome diz, elas restringem, podam as ações. Elas atuam com ou sem a nossa permissão. O poder que damos às nossas crenças determina os resultados que obtemos, ditam o que podemos e não podemos fazer, o que merecemos ou não.

Além disso, as crenças definem a nossa comunicação. A forma como falamos e as palavras que usamos diariamente dizem muito sobre nós. As palavras são poderosas, pois carregam significados outros diferentes dos encontrados em dicionários.

Várias crenças limitantes possuem algumas palavras negativas em comum, a saber: não, nunca, nada, jamais, nenhum, ninguém, impossível, absurdo, lento, fraco, burro, limitado, inseguro entre outras.

Não estou dizendo que devemos evitar ou abolir essas palavras do nosso discurso, mas a combinação delas com outras palavras é que podem gerar grandes dificuldades na nossa vida.

Para facilitar a compreensão do que quero dizer, listei abaixo algumas crenças limitantes que podem fazer parte do nosso discurso e até mesmo na nossa linguagem não-verbal. Precisamos prestar atenção nas mensagens que passamos, na maioria das vezes, de forma inconsciente e oposta a que queremos verdadeiramente transmitir.

Eu sou lento

Eu não tenho paciência mesmo.

Tenho de ser rico para ser feliz.

O sucesso leva tempo.

Tudo que vem fácil vai fácil.

Não consigo trabalhar com isso.

Os outros são melhores do que eu.

Já cheguei no meu limite.

Eu não nasci para isso.

É impossível ganhar dinheiro trabalhando com isso.

Não posso confiar em ninguém.

Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Cada macaco no seu galho.

A teoria na prática é diferente.

Olho por olho, dente por dente.

Estresse é bom, evita a acomodação.

Elogio estraga.

O ótimo é inimigo do bom.

É no curto prazo que tudo acontece.

Tem gente que nem se dedicou aos estudos e é rico.

Quem sou eu para falar alguma coisa.

Proponho um exercício: mapear suas crenças, todas aquelas máximas que ditam suas escolhas e ações e também norteiam seu discurso. Você também pode usar a lista acima de crenças limitantes para verificar quais fazem parte do seu repertório.

Relacione todas elas e depois separe as que ajudam, ou seja, são propulsoras das que prejudicam, limitantes. Em seguida, pegue a lista das crenças limitantes e desafie todas elas, tentando responder às seguintes perguntas:

  1. O que exatamente você quer dizer com essa frase?
  2. Todas as pessoas com as quais você se relaciona também pensam assim?
  3. Quais dificuldades essa crença impõe à sua vida pessoal e profissional?
  4. Que benefícios essa crença traz a você?

Se a lista de dificuldades for maior que a de benefícios, você diante de uma crença realmente limitante e precisará fazer ajustes gradativos para não se deixar mais dominar por ela. Não é algo simples e rápido, mas a proposta é provocar uma reflexão e posterior percepção de como o que pensamos e falamos pode impedir o nosso progresso. Temos de buscar o domínio sobre as palavras e não ser dominados por elas. Conhecer-se cada vez mais é o caminho.

“Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave?” Carlos Drummond de Andrade.

*Sócia-diretora da Companhia de Idiomas e do Portal ProfCerto.