Home > Oráculo > Invista em Exatas, ela será sua melhor headhunter

Invista em Exatas, ela será sua melhor headhunter

Por Flávia Pegorin

Se tem algo que pipoca nas escolas de hoje em dia são os eventos culturais. Colégios públicos e privados Brasil afora se acostumam cada vez mais ao calendário que contempla mostras culturais, festivais de música, exibições teatrais, uma exposição de artes plásticas. Às vezes até uma feira de ciências ganha espaço em meio a tanta humanidade. Já a área de exatas, coitada, vive sendo largada de canto.

Isso só faz afastar ainda mais as crianças e os adolescentes da Matemática – normalmente tida como “chata”, “difícil” ou conhecida como “aquela matéria do professor que me odeia”. Mas não é nada disso. A maioria da garotada pode torcer o nariz para uma Olimpíada de Matemática hoje, mas isso talvez seja só uma impressão errada. E bem poderia mudar o futuro delas.

Em um mundo em que a demanda por profissionais de áreas exatas só cresce – como Engenharia, Tecnologia da Informação, Estatística – o que mais se vê, contraditoriamente, é a separação das crianças entre as poucas que “são boas de Matemática” e as muitas que “não são boas de Matemática”. Mas dois economistas norte-americanos, Miles Kimball e Noah Smith, preocupados com os postos de trabalho em exatas que podem ficar vazios daqui uns anos, publicaram recentemente um artigo baseado na percepção de ambos nos vários anos em que trabalharam como professores, assistentes de aula e tutores.

A conclusão de Kimball e Smith é de que crianças são sugestionadas a acharem que, por não terem pais com facilidade em Matemática ou por não terem as melhores notas, eles são ruins naquilo – acabando por se esforçar menos ao longo dos anos escolares e, aí sim, se distanciando das carreiras exatas.

Os economistas aceitam que, de acordo com pesquisas, a facilidade com a Matemática tem um pequeno vínculo genético mesmo. Mas a coisa para por aí: para a Matemática ensinada e aprendida nos anos de ensino médio, por exemplo, o fator genético não significa nada se comparado ao esforço, à dedicação em horas de estudo e especialmente à confiança do aluno.

Kimball e Smith notaram que os alunos sugestionados por pais sem apego à Matemática e por professores que não os incentivavam acabavam achando que a matéria não era o forte deles, abandonando a ideia de entendê-la. Em testes preparados por eles, porém, foram avaliadas crianças com e sem afeição pela matéria. As que já tinham boas notas, naturalmente foram muito bem e acertaram quase tudo; mas, entre aquelas que não gostavam da Matemática e responderam apenas o que sabiam, a média de acertos no teste foi de 85% – um sólido B. A molecada, portanto, pode ser muito melhor do que pensa.

A importância de identificar tudo isso? Miles Kimball e Noah Smith explicam que “as habilidades matemáticas são cada vez mais importantes para conseguir um bom emprego hoje em dia – e, portanto, deixar um jovem acreditar que não vai aprender Matemática é algo muito destrutivo”.

E eles vão além: “também acreditamos que a Matemática é a área onde mais existe essa ‘falácia da capacidade inata’, um grande bicho-papão mental que torna as pessoas inseguras desde a escola. Se conseguirmos convencê-los de que qualquer pessoa pode aprender Matemática, esse será um pequeno passo para convencê-los que podem aprender qualquer coisa se trabalharem duro o suficiente”.

Os dois concluem dizendo que acreditar em genética em vez de acreditar em esforço é perda de tempo – e que, aliás, se envolver com o pensamento matemático é válido em qualquer altura da vida. Quer um emprego melhor? Que tal começar fazendo uns cálculos?