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Mercado de trabalho pós-pandemia: o que pode acontecer?

Confira o que rolou na live com Luciana Calegari, Talent Acquisition na VAGAS.com

Como será o mercado de trabalho pós-pandemia? Para falar sobre isso convidamos Luciana Calegari, especialista em Recrutamento e Seleção da VAGAS.

Em nossa live ela falou sobre o aumento do trabalho em home office e do recrutamento online, sobre novas relações entre pessoas no ambiente corporativo e também quais áreas que devem se aquecer nos próximos meses. 

Confira o que rolou no vídeo e, se preferir, acompanhe o texto com os principais destaques: 

Mercado de trabalho pós-pandemia: surgirão outras formas de trabalho? 

Neste momento, a gente não tem certeza de nada, mas vou dar um pouco da minha visão.

Eu acho que o mercado de trabalho vai passar por uma mudança porque nós mesmos estamos passando por uma mudança como pessoas. Mudanças de hábito, flexibilização do trabalho, por exemplo.

Estamos tendo novas experiências profissionais e pessoais. Eu mesma não tinha hábito de pedir supermercado por delivery, mas neste momento de pandemia fui forçada a ter essa experiência e está sendo incrível. Dificilmente, quando tudo voltar ao normal eu vou deixar de consumir dessa forma.

Da mesma forma, estamos experimentando o home office. Algumas empresas já ofereciam essa oportunidade, mas elas eram minoria. Hoje, são maioria. No nosso caso, na VAGAS todo mundo fazia um ou outro dia de home office por semana. Agora, está todo mundo 100% trabalhando de casa. 

Recentemente, a gente fez uma pesquisa com os colaboradores para saber como ele gostariam que fosse a retomada. 70% dos colaboradores disseram que querem fazer home office de 3 a 4 vezes por semana. 

Por outro lado, precisamos pensar que impacto essa mudança terá na empresa. Por enquanto, nós estamos com impacto positivo, conseguimos tomar decisões mais rápidas, manter a produtividade.

Eu tenho conversado com profissionais de RH de outras empresas que estão seguindo o mesmo caminho. Algumas tinham um escritório maior e estão reduzindo o espaço considerando que ele vai ser menos utilizado, empregando esse dinheiro em outras frentes.

Acredito, sim, o futuro do mercado de trabalho trará mudanças. 

O mercado de trabalho pós-pandemia será mais tecnológico?

Essa é uma questão que nós estamos falando há algum tempo. Eu acho que a crise do coronavírus acabou acelerando isso.

A maioria da população já estava habituada à tecnologia, pelo menos pensando em redes sociais e whatsapp e uso para lazer em geral. 

O que muda agora é que a tecnologia passa a ser utilizada para outros fins. A educação mesmo, eu vejo muitos profissionais que conseguiram evoluir e começaram a aprender de uma forma mais autônoma, por apps, webinars e lives.

Tem muito conteúdo gratuito à disposição e eu vejo os profissionais se responsabilizando mais pelo seu auto-desenvolvimento. 

Também vejo pessoas estreitando a relação com outras pessoas, sem vergonha de fazer networking, o momento está favorecendo essas trocas.  

E o trabalho como um todo, pensando nesse movimento mais digital, havia muito receio de como seria usar a tecnologia de forma maior, tinha receio de que ela tirasse o espaço do profissional, mas estamos vendo que ela é mais aliada do que concorrente. Ela tem nos ajudado e não nos prejudicado. 

Quais competências profissionais precisam ter para competir no mercado pós-pandemia?

No passado, a gente falava muito sobre competências técnicas, ou seja, como você usa uma ferramenta etc.

Isso já vem mudando, as competências comportamentais vêm tomando mais espaço e sendo mais evidenciadas no momento da contratação.

Falamos bastante também das competências do futuro, que para mim são as que a gente está vivendo hoje e tem que aprimorar. Quais seriam elas? 

  • Comunicação clara e objetiva: A gente não tem tempo para não ter uma comunicação que traga os pontos com clareza e sinceridade;
  • Gestão de tempo e de atividades: Muita gente sofreu e vem sofrendo para fazer isso em casa, porque a gente mistura trabalho com vida pessoal, filhos e tarefas de casa. Conseguir se organizar para fazer suas entregas é extremamente relevante quando ninguém está olhando se você está sentado na cadeira;
  • Criatividade: O quanto a gente consegue passar por momentos difíceis e tirar proveito disso, vendo algo bom. A criatividade com certeza vem para ficar. Eu vejo muita gente se reinventando nesse momento. Posso dar exemplo de gente que pegou o momento e está fazendo máscara para vender;
  • Adaptabilidade e resiliência: As coisas vão mudar de forma cada vez mais dinâmica e você precisa estar pronto para se adaptar e saber passar por dificuldades e conseguir realizar suas atividades;
  • Inteligência emocional: Tudo está muito ligado à inteligência emocional, à forma como você consegue se equilibrar no meio de tudo isso e de todas essas mudanças, de todas as pressões que vêm de todos os lados e com todas as incertezas. Cada vez mais a gente vai viver num mundo incerto e a gente precisa se inteligência emocional para saber o que vai entregar e estar tranquilo com suas decisões. 

E o recrutamento online veio para ficar?

Já havia alguns caminhos nesse sentido e eu acredito que essa prática tenha vindo para ficar.

Hoje é possível fazer o processo [seletivo] 100% online, com exceção de algumas posições que tenham um teste muito específico que precisa ser presencial, mas hoje dá para fazer uma entrevista da mesma forma que a gente está falando aqui, o olho no olho virtual.

Dá para fazer um teste, para fazer dinâmica de grupo de forma virtual. Era já uma tendência, mas ainda havia muito receio, as empresas tinham medo de arriscar e fazer contratações erradas.

De uma certa forma a Covid-19 veio para impulsionar isso. Uma pessoa pode conseguir emprego na pandemia sem sair de casa. 

Eu não acredito que, retomando a normalidade, o recrutamento passará a ser feito totalmente online. Algumas empresas mais tradicionais irão quebrar alguns paradigmas aos poucos. Mas eu acho que no geral as empresas ficaram bem mais abertas a isso. 

Agora, tirando um pouco o foco da empresa e olhando para o candidato e sua experiência,  ele deixa de ter um custo, precisa de menos tempo para participar de um processo seletivo.

Quando um profissional estava trabalhando e ao mesmo tempo buscando outra oportunidade ele tinha de separar pelo menos 3 ou 4 horas do dia para esse processo – é o trânsito imprevisível, o tempo da entrevista etc.

Agora não. No online, dura uma hora. Você conecta no horário combinado e pronto. 

Para quem está desempregado também fica mais fácil porque não é preciso gastar dinheiro para procurar emprego, pagar estacionamento etc. 

Você tem dicas para quem está fazendo entrevistas online?

A entrevista online é igual a presencial. Minha dica é para os candidatos tentarem ser o mais natural possível.

É importante ser você mesmo porque as empresas contratam mais pelo seu comportamento do que pelo técnico.

Você estará em casa fazendo a entrevista, então não tenha receio se o seu cachorro latir ou se o seu filho aparecer. O outro lado vai ter empatia porque também está vivendo isso. 

Além disso, uma dica que eu sempre dou é estudar a empresa. Saiba em segmento que ela atua, o momento que está passando.

Há muitas formas de você saber tudo sobre a empresa antes do processo seletivo e isso faz muita diferença até para você fazer as perguntas mais importantes. 

Quais são as oportunidades que podem surgir depois da pandemia?

Eu acho que sim. Tecnologia já vinha numa crescente muito forte e se mantém. Estamos indo para um mundo mais digital.

Mas saindo um pouco desse mercado, vejo crescimento forte em logística, pensando que vai haver muito mais entregas, pessoas pedindo coisas de casa. Saúde, que já vem nessa crescente, também se mantém.

Pesquisa e e-commerce, olhando para varejo mesmo, vai se fortalecer muito. Marketing digital também acaba se fortalecendo, porque as pessoas vão precisar se posicionar mais digitalmente. 

E, num período curto, essa mudança para home office gera compra maior de móveis, cadeira, internet, são mercados que devem ter um bônus e depois se estabilizar. 

Quais mudanças podemos esperar em relação à interação entre pessoas e equipes no ambiente de trabalho?

O mundo ainda está construindo o novo normal. A relação nas empresas eu acredito que mude, sim.

A confiança tem de ser muito forte neste momento, porque você não vai ter mais a pessoa sentada ao seu lado para você controlar quanto tempo ela trabalha.

É preciso ter mais uma gestão de entregas do que de horas trabalhadas. Os combinados entre líderes e colaboradores têm de ser muito mais em cima de entrega e o profissional tem de ter ciência, tem de combinar o que de fato consegue entregar porque, quando você está em casa, a pessoa pode achar que você não entregou porque não está trabalhando.

Ela não vê você ali ao lado. Essa relação de confiança vai ser muito importante.

A comunicação também muda porque antes bastava virar a cadeira pra falar com as pessoas. Agora, precisa chamar as pessoas.

A comunicação fica mais efetiva mas a gente perde um pouco da troca de virar a cadeira, engrenar de um assunto para outro.

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