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Gestão horizontal: grandes poderes e responsabilidades

Por Fabíola Lago

Ben Parker certa vez disse:

“Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.”

A famosa frase do tio de Peter Parker marcou para sempre a personalidade do nosso herói, o Homem-Aranha.

 

http://www.youtube.com/watch?v=_gOZ_bvL-Ys

 

A frase também cai como luva para quem trabalha em gestões horizontalizadas, as também chamadas empresas orgânicas, onde os funcionários contam com abertura para desenvolver projetos colaborativos, têm autonomia, espaço para expôr suas opiniões, definir seus horários e metas, entre outras características.

O motivo é simples: inovação, engajamento e velocidade são determinantes na nova economia. E estruturas verticalizadas, onde as informações estratégicas são discutidas “a sete chaves”, não se capitalizam intelectualmente para esse desafio. Atualmente, as empresas de TI são as que mais ganham visibilidade nesse modelo, tais como o Google, Valve, GitHub e a própria VAGAS. Sem esquecer a Semco, de Ricardo Semler, uma das primeiras a implementar o modelo nos anos 1980. A tendência é que esse modelo seja adotado cada vez mais, em qualquer segmento de negócio

A notícia é boa para quem aprecia um ambiente inteligente, onde seu comprometimento é mais relevante do que o cartão de ponto. Sem dúvida, novos e grandes poderes. Mas eles exigem também responsabilidade e autonomia. E esse é o desafio para quem trabalha nesse modelo de gestão. Como bem disse Ben,

“Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.”

O Brasil veio de uma cultura órfã, como analisou Darcy Ribeiro em seu clássico O povo brasileiro. Um país com as benesses da mestiçagem, mas sem pai. Destruímos nossa autoridade indígena, tivemos uma economia baseada na escravidão, tudo sob uma colonização cujo único objetivo era a extração de riquezas, e não a fundação e o fortalecimento de uma cultura, de uma nação.

Historicamente, crescemos sem o carinho paterno. O filósofo colombiano Bernardo Toro expressa de maneira bastante clara: a gênese da América Latina é heterônoma. Fomos formados para fazer o que mandam (ou somos punidos) e não porque achamos correto.

Nosso modelo educacional tampouco está voltado para o incentivo de se fazer bem, da pesquisa e da inovação. Estuda-se para a prova, para passar, pelo diploma. Não para adquirir conhecimento. E para complementar, o ambiente corporativo é predominantemente verticalizado. Autoridade, cargo e submissão ainda são muito mais valorizados do que a “boa controvérsia”, expressão frequente e motivadora do CEO da VAGAS, Mario Kaphan.

Se o desafio para as empresas de gestão horizontal é grande para fazer valer princípios modernos e mais eficazes, com novos valores, tão grande quanto isso é a responsabilidade dos profissionais que passam a desfrutar de gestões colaborativas. É um desafio e tanto rever sua própria cultura, sobretudo em uma sociedade inteira que tem por hábito alimentar o sucesso como algo individual e financeiro, em detrimento dos resultados em equipe. É remar não só contra a maré, mas especialmente contra uma maré internalizada a que fomos submetidos desde sempre, como país e como pessoas.