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Gamification na sala de aula chegou para ficar

Especialista defende tecnologia para resgatar o interesse pelo aprendizado

por Fernando Porto
foto: arquivo pessoal

Desde a popularização dos dispositivos móveis, as escolas têm travado uma batalha contra esses irresistíveis gadgets, que tiram ainda mais a atenção da aula dada na lousa, com jogos e outros aplicativos de entretenimento. No entanto, muitos educadores já estão levando o apelo dos jogos e apps para a mesma sala de aula, criando um modo mais divertido de ensinar – a chamada gamification – que consiste em colocar elementos de jogos em atividades para a educação. Um dos especialistas nesse assunto é Marcos Abellón, criador de uma ferramenta multiplataforma de aprendizado, que vem defendendo a absorção da tecnologia tanto nas escolas públicas como privadas, por entender que é uma maneira de resgatar o interesse do aluno pelo aprendizado escolar.

Quando é que o celular ou smartphone deixa de ser um inimigo do aprendizado para se tornar um forte aliado? O tempo que a criança passa em frente ao celular é muito maior do que o tempo na frente da TV. Estamos assistindo a uma transformação e o sistema pedagógico precisa saber se comunicar com esse novo perfil de estudante. Isso não implica a quebra das relações humanas que há entre professor, aluno e pais. Mas sim em torná-los hábeis para saber lidar com os desafios que lhe serão colocados lá na frente.

O que caracteriza um bom exemplo de aplicativo educacional? Um bom aplicativo traz maior interatividade tanto para o uso em sala de aula, quanto para a utilização como complemento aos estudos. Isso porque o aluno pode focar mais nas suas dificuldades e pontos fracos de determinada matéria, empenhando-se em melhorá-los. Outro ponto que vale a pena destacar é a possibilidade de acompanhamento do desempenho dos alunos pelos professores. Um exemplo é o app Q2L (www.q2l.com.br ), que ensina idiomas através de gamification e permite que os professores tenham acesso ao desempenho dos alunos.

Marcos Abellón gamification

Alguns especialistas mais conservadores acreditam que os aplicativos para as aulas distraem mais os alunos, que os associam apenas a entretenimento e não permitem reflexão. Quem está mais certo? Como o aprendizado através de tecnologias seria prejudicial quando a tendência é exigir cada vez mais que os jovens sejam heavy users delas? Não seria contraditório manter os recursos digitais afastados da educação quando os alunos estão totalmente adaptados ao seu uso? E qual seria o equilíbrio ideal? Não podemos subestimar o papel do professor e tornar a tecnologia o centro de tudo. Mas também não podemos ignorar os benefícios que alguns recursos podem trazer para o âmbito escolar. Infelizmente as escolas que utilizam os aplicativos ainda são minoria, já que é preciso ter certa infraestrutura para que todos os alunos possam interagir com essas novidades. Mas acredito que em um futuro não muito distante elas serão maioria.