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Especialista em inovação fala da importância de se reinventar

Do estagiário ao presidente da empresa todos precisam de agilidade para adaptar às mudanças

É preciso se reinventar. Não apenas neste momento de pandemia, mas sempre que as coisas mudam – no mundo, no país, nas empresas, na sua área de atuação. É essa a principal conclusão da live da VAGAS.com com o professor Fernando Arbache, professor da FGV, consultor do MIT no Brasil e fundador da Arbache Innovations. Confira a íntegra da conversa neste vídeo e os principais destaques no texto que está logo abaixo do vídeo. 

Desde sempre a humanidade precisa se reinventar

O professor Arbache acredita que a necessidade de se reinventar exista há muito tempo e já faça parte da história da humanidade. Para ele, sempre que surgem novas tecnologias, alguns empregos deixam de existir  e outros empregos vão surgindo. “Costumo dizer que desde de a primeira Revolução Industrial, quando o artesão começou a perder o emprego, a evolução da tecnologia da automação foi criando novas áreas e eliminando outras”, afirma. 

Um exemplo de área que desapareceu é datilografia. Hoje em dia, como afirma o professor, ninguém mais faz curso de datilografia. “Os professores deixaram de ter emprego, as escolas sumiram”, diz ele. E isso aconteceu com outras áreas – fotocópia, revelação de fotos são outros exemplos. 

“Há muito tempo nós temos de nos reinventar, isso é comum na história da humanidade”, afirma. O que mudou é que hoje precisamos nos reinventar muito mais rápido porque as tecnologias mudam o tempo todo. 

Do CEO ao estagiário: todos precisam se reinventar

O professor diz ainda que do estagiário ao presidente da empresa, todos precisam se reinventar. Isso porque o CEO que as empresas querem hoje não é o mesmo que elas queriam anteriormente. O mesmo vale para estagiários, analistas, coordenadores. E até essa divisão de cargos está se reinventando. É possível que no futuro elas não existam mais na maioria das empresas. Na VAGAS, por exemplo, a estrutura é horizontal – isso significa que ninguém é chefe de ninguém, todos trabalham juntos.  

Muitos profissionais também veem seu trabalho mudar. Os bancários, por exemplo, veem o número de agências cada vez menor. Os taxistas viram o surgimento do Uber. “Todos esses segmentos viveram suas pequenas pandemias”, compara Arbache. “A transformação digital veio e não tem volta.” 

Qual é a hora de buscar novas competências?

Segundo o professor, não existe hora certa, e esse é o grande problema. Nenhuma empresa previa a pandemia do Covid quando fez seu planejamento estratégico para 2020. Muitas coisas acontecem sem que possamos prever. Por isso, precisamos entender quais são as nossas competências e saber quais competências serão necessárias no futuro. Com isso, podemos tentar desenvolver o que for preciso para estarmos prontos para o que está por vir. “Quem não olha antecipadamente é pego de surpresa e precisa se reinventar muito rapidamente”, alerta. 

Quais são as competências mais necessárias atualmente

Segundo Arbache, precisamos de empatia para entender o que os outros estão sentindo. É esse o papel das pessoas que não pode ser substituído por robôs. “O robô vai substituir as carreiras que são repetitivas, não tenho dúvida”, diz ele. “Mas robô ainda não sabe criar, compor música, ter ideias malucas”, afirma. 

Por isso, precisamos entender que é preciso usar mais a criatividade e trabalhar mais com pessoas, com times. “O mundo mudou e existe espaço para todo mundo que decide mudar, como sempre existiu”, afirma. A grande dificuldade, na maior parte dos casos, é aceitar que precisamos mudar. A realidade está aí e não muda – nós é que precisamos nos adaptar.

Outra competência importante é a capacidade de adaptação. As pessoas precisam se adaptar a novos contextos. O professor contou a história de dois profissionais da Somália que conheceu. Eles não tinham Ensino Fundamental, moravam numa tribo, os pais eram piratas e um dos roubos que eles fizeram foi de computadores, o que permitiu que eles usassem a internet do Facebook para África, que é gratuita, e criassem uma empresa que hoje vale 800 milhões de dólares. Um ano depois, a empresa deles já era um unicórnio e valia 1 bilhão de dólares. 

“Essas pessoas não tinham recurso, eram psicologicamente muito abaladas e moravam num lugar muito pobre, numa realidade cruel”, diz ele. E nada disso impediu que elas se desenvolvessem. “Nós temos problemas, mas temos condições e possibilidades e precisamos de vontade para vencer barreiras que sempre vão existir”, afirma. A Covid é uma delas, ela veio, trouxe uma série de restrições e muita gente se reinventou. 

Adaptabilidade, como ele diz, é muito importante hoje em dia. E a capacidade de se adaptar rapidamente a novas situações também. Essa agilidade é que muitas empresas chamam de “agile” (do inglês). “As empresas estão procurando pessoas que sejam ágeis, que consigam solucionar problemas complexos, que sejam adaptativas e engajadas”, afirma. 

É mais importante se reinventar comportal ou tecnicamente?

Para o professor, o comportamental hoje é mais importante porque conhecimento é mais fácil de adquirir. “É muito mais difícil mudar o comportamento de uma pessoa do que adquirir conhecimento” diz ele. E hoje é muito importante que o profissional tenha fit cultural com a empresa o que quer dizer que a pessoa precisa estar adaptada à forma de trabalhar da empresa. E esse “fit” está sendo levado em conta também durante o processo seletivo. As empresas estão menos preocupadas com o currículo e mais interessadas em conhecer as pessoas que serão contratadas. seleção por valores. 

Isso não significa que as pessoas não precisam buscar conhecimento técnico. Pelo contrário, todos os cursos de conhecimento técnico são de grande valia. Mas questão, como diz o professor, não é apenas fazer o curso. “É entender qual curso você precisa em cada momento da sua carreira”, afirma. É preciso bater o olho no curso e saber que você precisa dele. Para isso, você precisa se conhecer – saber quem você é, o que você gosta de saber. Aí, sim, você consegue saber qual curso precisa fazer para se formar tecnicamente. A técnica vem em segundo lugar. “Anteriormente a técnica era fundamental”, diz o professor. “Hoje as técnicas são utilizadas pelo robôs e precisamos olhar para o futuro para nos adaptarmos continuamente.”