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Raio-x da discriminação racial no mercado de trabalho

Uma pessoa branca ganha 73,9% mais do que uma pessoa preta ou parda no Brasil
homem negro de óculos dando nó na gravata

A data de 21 de março é marcada pelo Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. É uma boa data para avaliar como anda a discriminação racial no mercado de trabalho. Para saber se há de fato algo a ser comemorado – ou se há ainda muito a ser mudado – vamos analisar alguns dados do mercado de trabalho.

A população preta ou parda representa 55,8% dos brasileiros. Da força de trabalho, eles respondem por 54,9%. São 57,7 milhões de pessoas. No entanto, entre os desocupados, representam 64,2%. E, entre a população subutilizada, são 66,1%. 

Além disso, enquanto 34,6% dos trabalhadores brancos estão em ocupações informais, o percentual de pretos ou pardos é de 47,3%. Os dados são do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, do IBGE.

Dados da discriminação racial no mercado de trabalho

Em relação à remuneração, os dados são ainda mais reveladores. O rendimento médio mensal das pessoas brancas ocupadas é de R$2.796, enquanto o da população preta ou parda não passa de R$1.608. Ou seja, uma pessoa branca ganha 73,9% mais do que uma pessoa preta ou parda. 

Mesmo entre as pessoas que têm nível superior completo, a diferença é imensa. Os brancos ganham por hora 45% a mais do que os pretos ou pardos com o mesmo nível de instrução. 

Abismos na distribuição de cargos e de renda 

E tem mais. Na distribuição de cargos, a desigualdade é ainda mais clara. Pretos e pardos, ou seja, 55,8% da população, ocupam somente 29,9% dos cargos gerenciais. 

Na classe de renda mais elevada, somente 11,9% das pessoas ocupadas com cargos gerenciais são pretas ou pardas – 85,9% delas são brancas. Por outro lado, nos cargos gerenciais de renda mais baixa, há 45,3% de pretos ou pardos e 53,2% de brancos.

Apenas nas regiões Norte e Nordeste, a proporção de pretos ou pardos em cargos gerenciais é maior – 61,1% e 56,3%, respectivamente. No entanto, como os pretos ou pardos respondem por 78% e 74,1%, respectivamente, da população ocupada destas regiões, eles ainda estão sub-representados no nível gerencial. 

Ainda em relação à distribuição de renda, eles representam nada menos do que 75,2% do grupo formado pelos 10% da população com os menores rendimentos. Por outro lado, pretos e pardos são apenas 27,7% dos 10% da população que recebem os maiores rendimentos.

O rendimento médio domiciliar per capita da população branca é quase duas vezes maior do que o da população preta ou parda. São R$ 1.846, dos brancos, contra apenas R$ 934, dos pretos ou pardos. 

Outro dado cruel é que a proporção de pretos ou pardos com rendimento inferior às linhas de pobreza propostas pelo Banco Mundial é mais que o dobro da proporção de brancos. 

Na linha pobreza de US$ 5,50 diários, estão 15,4% dos brancos e 32,9% dos pretos ou pardos. Já na linha de extrema pobreza, das pessoas que têm rendimentos inferiores a US$ 1,90 diários, estão 3,6% das pessoas brancas e 8,8% da população preta ou parda.

Avanços na escolarização 

O único ponto de esperança apontado pelos dados do IBGE é o aumento de pretos e pardos cursando ensino superior. Entre os jovens pretos ou pardos de 18 a 24 anos que estudam, a proporção que cursa ensino superior aumentou de 50,5%, em 2016, para 55,6%, em 2018. No entanto, ainda que haja um avanço, o patamar continua abaixo dos 78,8% de estudantes brancos da mesma faixa etária no ensino superior.

Outro movimento interessante vem do fato de que, em 2018, os estudantes pretos ou pardos passaram a compor a maioria – 50,3% – nas instituições de ensino superior da rede pública. Ainda assim, como respondem por 55,9% da população total do país, eles continuam sub-representados.

Esse avanço pode ainda não se refletir no mercado de trabalho atual, mas quem sabe tenha efeito nos próximos anos.

De qualquer forma, o fato de não termos muito o que comemorar nesta data deixa claro que muito ainda deve ser feito para acabar com qualquer tipo de discriminação no mercado de trabalho. O que acha de aproveitar a data para discutir o tema e buscar formas de mudar essa situação? 

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