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Transição de Carreira: desafios e aprendizados [Vídeo]

Este artigo é para você que está insatisfeito com sua profissão e deseja mudar de área

Por Thayane Fernandes*

Já pensou em fazer uma transição de carreira?

Nossos pais nos ensinaram que na vida adulta a gente vive dois ciclos infinitos: um que vai de segunda a sexta e outro que vai de sábado a domingo. Isso porque, no passado, o trabalho era visto apenas como um gerador de caixa para pagar os boletos.

De lá pra cá, não só o mercado de trabalho mudou oferecendo uma gama muito maior de profissões em relação aquelas que tinham quando nos formamos na faculdade mas também as pessoas mudaram. Hoje os profissionais não se contentam mais em trabalhar apenas por dinheiro, eles querem encontrar sentido no seu trabalho e fazer a diferença no mundo. Não é à toa que mais da metade dos brasileiros estão insatisfeitos com suas carreiras de acordo com pesquisas e que as buscas no Google pelo termo “propósito” dobraram nos últimos 5 anos!

Tem uma frase do Steve Jobs que, na minha opinião, é a maior verdade do século:

“Seu trabalho vai preencher uma grande parte de sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Tal como acontece com todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam, então continue procurando até você achar”.

Para explorar mais sobre o tema mudança de carreira, conversei com a Lívia Bukolts. Ela entrou no mercado de trabalho na área de Educação e migrou para Tecnologia aos 30 anos. Assista a entrevista na íntegra e confira logo abaixo o que ela nos trouxe de aprendizado:

Essa live tem o oferecimento do Instituto Mauá de Tecnologia

 

VAGAS: Como mudar de profissão quando não se sabe para onde ir?

Lívia: Acredito que o caminho é buscar identificar quais áreas você tem interesse e pesquisar a fundo: como estão as ofertas de emprego x profissionais qualificados, quais são as oportunidades de crescimento profissional que a área oferece, pois muitas vezes os profissionais migram de área devido à falta de perspectiva de crescimento na área onde estavam, portanto pesquisar é melhor para evitar repetir essa situação.

Também é interessante visitar o ambiente de trabalho da profissão que você tem interesse, ver se a rotina de trabalho parece ser interessante para você. Conversar com quem já está na área, para entender os ônus e bônus da profissão.

Pensando nisso, também é importante identificar o que está te motivando a mudar de carreira, que tipo de atividade você não quer mais desenvolver e que outras atividades você poderia continuar fazendo e que faz com eficiência. Eu, por exemplo, como professora corrigia muitas provas, hoje tenho uma habilidade analítica bem desenvolvida, e consigo fazer boas análises na construção de relatórios de testes de usabilidade. De repente, este pode ser um caminho para descobrir por onde começar a investigar o que você poderia seguir.

Uma outra maneira também é conversar com as pessoas que trabalharam com você. Elas podem contribuir dizendo quais características elas observaram em você, pois talvez você não tenha notado que era um diferencial.

Estão surgindo novas profissões, a minha área por exemplo, mesmo que exista há muitos anos, ela está mais evidente hoje no mercado de trabalho brasileiro, portanto, pesquisar novas profissões também é um caminho.

VAGAS: Já sei para qual área quero migrar. E agora, quais são os primeiros passos?

Lívia: A primeira coisa que fiz foi me planejar financeiramente, tanto para investir em minha formação, quanto para aguentar um período com um salário menor, para procurar um emprego na área.

O segundo passo foi planejar meu tempo, pois teria de me dedicar aos estudos para migrar de área. Então, primeiramente eu saí da escola, mas continuei dando aulas particulares, pois tinha uma flexibilidade maior e mais tempo disponível para me dedicar aos estudos.

O terceiro passo foi traçar um plano de estudos. Ingressei num curso de pós-graduação e ao mesmo tempo fiz cursos paralelos, participei de workshops, meetups, eventos, procurei me inserir na comunidade. Ao mesmo tempo, assisti vídeos no YouTube, li livros e artigos de pessoas que eram referência, passei a escutar podcasts sobre a área diariamente. Fiz praticamente uma imersão para entender a área, aprender os termos mais utilizados, entender qual é o “mindset” deste ramo profissional. Esse processo de aprendizado é como aprender uma nova língua, quanto mais imerso você estiver, mais você aprende.

VAGAS: Como migrar para uma nova área se não tenho experiência nela?

Lívia: Se houver uma possibilidade de estágio na área que você escolheu migrar, é uma boa. No entanto, nem sempre haverá essa possibilidade. O que fiz foi pegar projetos como freelancer, o que me possibilitou trabalhar em projetos reais e conseguir construir um portfólio contando sobre a minha análise como UX Designer no processo de desenvolvimento dos trabalhos. Eu reconheço o quanto fazer a pós-graduação contribuiu neste processo, pois minhas aulas eram muito “hands-on“, eu já fazia projetos reais, só não chegavam a ser desenvolvidos, mas as aulas foram fundamentais para conseguir tomar decisões durante a execução do trabalho.

Mas, os empregadores vão querer experiência, por isso, é importante tentar oportunidades de trabalho. Mesmo que inicialmente você não tenha o salário dos sonhos, o mais importante neste momento é se dedicar para conquistar sua experiência. Ao trabalhar, você se trabalha, isso é um fato, por isso é significativo.

Uma outra possibilidade, se na empresa que se está trabalhando houver esta outra área, pode-se participar de um recrutamento interno. Muitas vezes é mais confortável, por já se conhecer o ambiente de trabalho, e as empresas sempre abrem portas para quem quer se desenvolver, não é mesmo?

Outra possibilidade também é fazer o seu trabalho para alguém, pode ser uma ONG ou quem esteja precisando do seu trabalho. É uma maneira de ajudar e ser ajudado.

VAGAS: É possível “começar do zero” em uma nova área depois dos 30 anos?

Lívia: Sim, sempre é tempo de começar!

Neste tempo conheci várias outras pessoas que migraram de área, também com a mesma idade. Minha professora de Yoga, por exemplo, foi bancária por 10 anos, uma amiga que era farmacêutica, hoje trabalha com terapia tailandesa, o instrutor da academia que frequento, antes era desenvolvedor.

Nesta vida nada é impossível, basta querer e traçar um plano e se dedicar a executá-lo.

E uma coisa que eu observei, é que normalmente os profissionais que migraram de área, exercem a nova função com uma motivação incrível.

Pois, de fato, mudar exige um tanto de coragem, disciplina, empenho, pois você precisa mostrar para o mercado de trabalho que você tem propriedade do que está falando e/ou fazendo. Com isso, notei que os profissionais que mudaram de área são muito bem preparados, têm mais disposição para trabalhar, pois estão em busca da satisfação profissional. Em outras palavras, são profissionais que estão buscando trabalhar com excelência, pois abriram mão de um tanto de coisas, para fazer o que acreditam ser o melhor para elas, então trabalham com prazer, com alegria.

VAGAS: Como explicar minha transição de carreira no currículo e na entrevista sem parecer uma pessoa indecisa?

Lívia: Olha, vou fazer uma ressalva aqui, quem muda de carreira, de fato, não é uma pessoa indecisa. Pelo contrário, é uma pessoa com grande poder de decisão, pois teve coragem de mudar sua trajetória para se desenvolver em uma área que faz sentido para ela. Os empregadores devem ficar de olho nestes profissionais resilientes.

O que fiz, em meu resumo profissional, foi citar uma competência técnica/comportamental que eu havia desenvolvido na antiga profissão e que eu via que se encaixava nesta nova área, deixando claro o meu objetivo profissional. Também procurei contar um pouco sobre o que desenvolvi nos trabalhos que realizei como freelancer.

No currículo mantive o registro das escolas onde trabalhei, para que o empregador soubesse da minha trajetória profissional e pudesse entender a minha transição de carreira. É importante colocar todos os cursos, palestras e eventos que participou, a fim de demonstrar que você é um profissional que está se atualizando.

Lívia Bukolts começou sua carreira como professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, se especializou em Psicopedagogia e Arquitetura da Informação e Experiência do Usuário. Trabalha na VAGAS.com desde 2018 e atua como UX Designer no software de gestão de RH.

*Thayane Fernandes começou sua carreira como recrutadora e se especializou em Marketing e Mídias Digitais. Trabalha na VAGAS.com desde 2013 e escreve artigos sobre currículo e carreira.