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Publicidade: tendências para um mercado mutante

Quem trabalha na área precisa ter um DNA meio camaleônico

por Fernanda Bottoni

A área de publicidade e propaganda é uma das mais mutantes de todo o mercado de trabalho, especialmente desde o surgimento do meio digital, que traz uma novidade atrás da outra – ou, como é mais comum -, várias novidades ao mesmo tempo.

Consequentemente, quem trabalha nesse mercado precisa também ter um DNA meio camaleônico, capaz de acompanhar rapidamente as transformações sem se desesperar. Afinal, não há previsão alguma de que essa revolução da comunicação esteja perto de terminar.

Para saber quais são as tendências desse mercado, ouvimos Paulo Cunha, coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da ESPM-SP. Confira o que ele disse:

Convergência é a palavra-chave. Mas, como Cunha mesmo afirma, isso não é de hoje. Acontece, sim, que, como temos cada vez mais meios de comunicação e diferentes relações com os consumidores, essa questão se tornou mais fundamental e tensa. Afinal, a comunicação, para ser eficiente, precisa estar alinhada em todas as formas de consumo midiático. “Eu acabei de voltar do Festival de Criatividade de Cannes e assisti a 17 palestras lá”, diz ele. “Em todas, a grande questão era convergência, direta ou indiretamente”, diz ele.

Mobile é a preocupação da vez. Pois é. Esse mercado já se preocupou com mídia social, comunicação integrada, marketing de relacionamento e planejamento estratégico, entre outros. Preocupações que foram superadas, como deve ocorrer também com o mobile, novo “vilão”, segundo Cunha. No entanto, quem está nesse mercado (ou se prepara para entrar nele nos próximos anos) deve considerar que o mundo, além de digital, é cada vez mais mobile e as soluções têm de ser bem pensadas também para essa mídia. “Não estamos falando apenas de aplicativos, mas de produção de conteúdo como um todo, adaptada a aparelhos móveis”, diz o coordenador.

Conteúdo tem de ser relevante – Por falar em conteúdo, outro ponto fundamental é a relevância do conteúdo que as marcas oferecem aos seus consumidores, seja num aplicativo, num post orgânico ou patrocinado nas redes sociais. Nesta era, em que há tanta informação à disposição, só obtém destaque aquela que consegue ser relevante. E a construção dessa relevância, via de regra, passa pelo conhecimento do seu público-alvo e pela criação de um relacionamento de mão dupla com ele.

Big data é o desafio – É maravilhoso ter tanta informação sobre os consumidores ao alcance das mãos, sem dúvida. Por outro lado, trabalhar essas informações para colocar os insights que elas proporcionam a favor dos projetos é um grande desafio para todas as empresas – e, claro, para os profissionais da área.

Empreendedorismo é necessário. A capacidade de empreender é tão vital para os profissionais de publicidade e propaganda que as escolas costumam manter incubadoras de novos projetos de alunos. “Temos uma aqui”, diz Cunha. O motivo não é difícil entender. Boas ideias, especialmente nesse mercado, podem se transformar em startups sensacionais, em que os fundadores não raramente são jovens que simplesmente fizeram a lição de casa para tirar a grande ideia do papel (ou da tela do computador, mais provavelmente).

Multidisciplinaridade é diferencial – “O profissional precisa ter uma área de especialização, mas precisa também ter uma visão do todo”, diz Cunha. A multidisciplinaridade é fundamental para entender a convergência. “Como vou entender convergência sem entender o todo?”, questiona ele. Na prática, isso significa que profissionais de planejamento, por exemplo, devem também fazer um pouco de criação – e vice-versa. E isso vale para todas as áreas.

Alguns princípios são fundamentais – Por fim, como este é um mercado mutante, estudar algumas disciplinas é fundamental para não se desesperar com as mudanças que são, afinal, inevitáveis. “Se pensarmos em mídias sociais, por exemplo, podemos ficar horas discutindo quem será o sucessor do Facebook, que sucedeu o Orkut, mas esse seria um exercício de bola de cristal”, diz Cunha. “No entanto, se você entender o que está por trás do Orkut, do Facebook e do Instagram, entendendo princípios de grupos e relações de inclusão ou exclusão, não precisa temer o que virá porque esses princípios estarão preservados”, explica. Ou seja, a dica é levar muita a sério disciplinas como antropologia, psicologia e sociologia, por exemplo, porque elas é que sustentarão o seu entendimento das novidades, sejam quais forem elas. “Sem susto e nem desespero.”