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Ser feliz no trabalho

Por Alessandra Tomelin*

Você já se perguntou:

O que você gosta de fazer? Qual o seu talento natural?

Perguntas simples, mas tão difíceis de serem respondidas… Por quê? Talvez por termos sido criados em um mundo onde o correto é viver no “convencional” — o “menos arriscado” é o caminho certo. Acreditamos por muito tempo que ser feliz e trabalhar não eram verbos que podiam estar na mesma frase.

Mas o que é felicidade? Quando você está feliz?

Para mim, felicidade é fazer algo que dê prazer. Algo que faça esquecer do tempo e não se veja o tempo passar. É mergulhar em algo ou algum assunto sem vontade de ir embora.

Talvez alguns possam pensar algo assim:

Quando como chocolate fico feliz.

Mas daí vem outra reflexão: quanto tempo dura o prazer de um chocolate? E de fazer algo que você realmente ama?

Como profissional da área de Recursos Humanos nos últimos dez anos e grande interessada sobre o tema “felicidade no trabalho”, discuto com muitas pessoas e venho pesquisando sobre a percepção do ser humano sobre o tema.

O que tenho percebido é que, muitas vezes, este assunto gera certa angústia nas pessoas. Fomos educados por nossos pais a nos dedicarmos ao trabalho, buscarmos sucesso profissional, ganharmos dinheiro. Poucas as pessoas que, em casa, na escola ou na faculdade, tratavam da ideia de conciliar trabalho, remuneração e felicidade.

Outro dia me questionaram:

“Será que ser feliz não é jogar tudo pra cima e ir vender sanduíche na praia?”

Talvez sim, talvez não. Depende das respostas às outras perguntas.

Particularmente, acho que não é preciso jogar tudo para cima para ser feliz no trabalho, mas é necessário saber o que se ama e poder usar este dom no cotidiano, ou seja, também no trabalho. Parece meio fantasioso e sonhador, não? Então vamos trabalhar com um caso real.

Outro dia, durante uma entrevista com um candidato, aparentemente bem estruturado em sua carreira, formado e atuando em Marketing, em uma empresa de alimentos, fiz a mesma pergunta:

“Com o que você trabalharia, se dinheiro não fosse algo importante na sua vida?”

Sem pensar um segundo, ele respondeu:

“Animais! Amo animais. Um dia vou trabalhar só com isso.”

Continuamos a entrevista, mas fiquei com esta reflexão, que agora compartilho com vocês: será que esta pessoa entrou em contato com este amor? Será que não daria para aproximar trabalho e paixão, e tentar uma oportunidade em uma empresa relacionada a animais (por exemplo, uma empresa que faz rações)? Assim ele poderia estar mais perto do que ama!

Os céticos perguntariam: “mas por que gastar energia pensando em fazer algo que amo, e não escolher uma empresa, fazer a minha parte no trabalho e ir embora ser feliz nas outras horas que me restam, fora do escritório?” Porque quando gostamos de algo, estudamos, pesquisamos, temos várias ideias.

É preciso saber o que se ama

Muitas vezes me deparo com candidatos que colocam no objetivo profissional de seu currículo:

“À disposição da empresa.”

Sempre me questiono: como eu vou saber o que você gosta de fazer ou no que você é bom? Mais: por que deixar para o outro analisar e decidir onde nos encaixamos? Alguns podem pensar: “oras, você é de Recursos Humanos!; você deve ter a resposta.” Mas eu te asseguro que nós não temos.

Eu acredito que a resposta está dentro de cada um de nós. Basta fazer as perguntas certas. Por isso, convido todos a uma reflexão em três etapas:

1. Quais são as três coisas que você mais gosta de fazer? (Pode ser em casa ou no trabalho.)
É um esporte? Um tipo de comida? Algo cultural? São animaizinhos? Identificar suas paixões, ou seja, aquilo que te deixa feliz é o primeiro passo.

2. Quais são os seus três maiores talentos?
Aquilo que você sabe que é bom, pode ser qualquer coisa, desde assoviar, mexer com números, fazer comida, organizar papéis etc.

3. No seu atual trabalho (ou no que você está buscando) você está priorizando o que você gosta ou o que você faz muito bem?
Se não está, te convido a refletir e se permitir visualizar como seria trabalhar com as três coisas que você mais gosta e usando os seus três maiores talentos. Talvez você possa se deparar com uma primeira reflexão sobre seu real objetivo profissional e de vida.

Não sei se tudo isso que escrevi faz sentido para você, leitor, mas deixo a reflexão e o espaço aberto para discutirmos.

* Alessandra Tomelin faz parte da equipe de Recursos Humanos da VAGAS.

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