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Aprenda a organizar finanças para sair das dívidas

Seguindo três passos simples, você pode até começar a investir

por Deni Alexandro P. Silva*

Quando o assunto é organizar finanças, logo pensamos em cortar gastos e rever hábitos de consumo, para que o nosso salário possa durar o mês todo e ainda sobrar um pouco para fazer “um pé-de-meia”.

De fato, eliminar gastos supérfluos e mudar certos hábitos de consumo contribuem muito para melhorar a nossa saúde financeira. Porém, para cuidar de fato das finanças é preciso, antes de tudo, elaborar um planejamento financeiro coerente com sua realidade e adotar uma ferramenta de controle adequada e eficiente.

3 passos para cuidar das finanças pessoais

1. Planejamento

Este é o primeiro passo e consiste em definir objetivos e os métodos (procedimentos) para alcançá-los

2. Controle

Verifica se os métodos definidos estão sendo aplicados corretamente, se são eficazes ou se precisam ser revisados, para que os objetivos possam ser alcançados.

Exemplo prático de planejamento e controle financeiro:

– O objetivo é juntar R$ 3.000,00 nos próximos 06 meses, para pagar a parcela das chaves do apartamento;

– Para alcançar este objetivo, o método definido foi separar parte do valor das férias e do 13º salário;

– Para que o método definido funcione corretamente é necessário realizar um controle que possa garantir que o valor separado para a parcela das chaves não acabe sendo utilizado paras outros fins durante esses 06 meses.

Para elaborar um planejamento financeiro coerente é preciso estar com os pés no chão. Procure estabelecer objetivos que possam ser alcançados, partindo da sua realidade financeira atual.

Após definir os objetivos e os métodos, adote uma ferramenta de controle que atenda suas necessidades.

Há vários aplicativos para controle financeiro à disposição. Também existem sites especializados e as tradicionais e práticas planilhas em Excel.

Uma boa opção são as ferramentas que oferecem os seguintes recursos: previsão financeira, acompanhamento da movimentação e apuração do resultado mensal.

a) Previsão

Relacione todas as entradas e saídas previstas para cada mês. Considere todas as receitas (salários, pensões, etc.) e todas as despesas (alimentação, lazer, habitação, educação, saúde, etc.).

O valor de itens como comissões, bônus, água, luz e supermercado pode variar de um mês para o outro. Nesses casos você pode, por exemplo, considerar a média dos últimos três meses.

Lembre-se também de considerar situações específicas, como o período de férias, as despesas de início de ano (IPTU, IPVA, material escolar, etc.) e as datas comemorativas (aniversários, dia das mães, etc.).

Por meio de uma previsão financeira eficiente é possível identificar antecipadamente a necessidade de ajustes no orçamento para determinados meses ou períodos.

b) Acompanhamento

Nesta fase, insira no seu controle os valores realizados, ou seja, os valores efetivamente recebidos ou pagos. Lance até aqueles bem pequenos – o rateio para o presente do aniversariante do mês, o cafezinho ou o sorvete depois do almoço, tudo isso.

Faça a comparação entre os valores previstos e os valores realizados para identificar possíveis divergências ou variações significativas entre o previsto e o real. Essa comparação ajuda a melhorar a qualidade da sua previsão financeira para os meses seguintes.

O ideal é que o acompanhamento seja realizado semanalmente, para evitar que informações se percam ao longo do período e também para que haja tempo hábil para identificar e solucionar problemas dentro do próprio mês.

c) Resultado

Tendo lançado todos os valores realizados (definitivos), encontraremos a diferença apurada entre as entradas e as saídas, ou seja, o resultado ou saldo final. Uma vez apurado o resultado, seguimos para a tomada de decisão.

3. Tomada de Decisão

Esta etapa consiste em identificar problemas e oportunidades, analisar criteriosamente as opções disponíveis e escolher a alternativa que se mostrar mais viável. Visualize as necessidades do momento específico, sem perder de vista os objetivos de longo prazo, definidos no planejamento financeiro.

Vamos aplicar os conceitos acima, aos exemplos que se seguem.

Considerando um resultado mensal positivo

Liquide as chamadas “dívidas bola de neve” como o cartão de crédito e o cheque especial.

Nunca deixe seu dinheiro parado, sem remuneração. Você pode abrir uma conta poupança e criar um fundo de reserva para momentos de necessidade, investir em ativos financeiros, etc.

Para investir, descubra qual é o seu perfil de investidor (Conservador, Moderado ou Arrojado) e analise os produtos disponíveis. Vamos usar aqui como exemplo, a análise do produto CDB (Certificado de Depósito Bancário), uma das principais opções dos investidores com perfil Conservador:

– O valor mínimo para aplicação pode variar entre R$ 100,00 e R$ 2.000,00 de um banco para outro;

– Rentabilidade, normalmente, atrelada a taxa CDI que costuma acompanhar a taxa SELIC (taxa básica da economia);

– Conta com a garantia (cobertura) do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) até o limite de R$ 250 mil;

– Sofre incidência do Imposto de Renda e do IOF (resgates em prazo inferior a 30 dias).

Considerando um resultado mensal negativo

– Avalie se será necessário (e viável) utilizar o fundo de reserva ou resgatar investimentos;

– Verifique se há “descasamentos” entre as datas de vencimento das despesas e as datas do crédito do salário. Pagamentos com atraso geram multas e juros. Além disso, saldo descoberto (negativo) em conta corrente, mesmo por poucos dias, também gera a cobrança de (pesados) encargos financeiros.

– Considere a opção de tomar um empréstimo bancário para liquidar todas as dívidas e estabilizar suas finanças. É importante avaliar se o custo desse empréstimo não será maior do que as dívidas atuais. Para isso, descubra o CET (Custo Efetivo Total), que é a soma de todos os encargos e taxas embutidos na contratação do empréstimo.

Verifique também se o valor das parcelas cabe, de fato, no seu orçamento mensal e lembre-se de que esse empréstimo deverá ser utilizado para liquidar as dívidas já existentes e não para contrair novas dívidas.

Deni Alexandro P. Silva é Consultor Contábil e Empresarial.