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A rotina de uma veterinária do zoológico

Profissional relata o agitado dia-a-dia do Parque Zoológico de São Paulo

por Heloisa Valente
fotos por Ailton de Oliveira

Trabalhar no Zoológico, em meio à natureza e mais de 3,2 mil animais, pode parecer uma atividade de lazer diário. No entanto, quem dá expediente por lá diz que a realidade é bem diferente. “Há muito trabalho por aqui”, diz Claudia Regina Grosse Rossi Ontivero, médica veterinária da Divisão de Veterinária da Fundação Parque Zoológico de São Paulo.

Há cinco anos na instituição, ela conta que escolheu o lugar pela diversidade de animais. “Em um mesmo dia posso atender um sapo de apenas quatro gramas e um elefante de três toneladas, com doenças e sintomas totalmente diferentes”, diz. Para Claudia, esse universo amplo é um desafio para o veterinário, que está sempre aprendendo e aprimorando conhecimento.

“Desde a época da faculdade dediquei minha atuação às aves silvestres e aqui há uma infinidade de espécies”, afirma. A veterinária explica que além de cuidar dos animais que pertencem ao Zoológico, o trabalho médico também é extensivo às espécies que migram para o parque. “É muito comum aparecerem por aqui tucanos e aves de rapina que necessitam de cuidados porque estão machucados ou apresentam qualquer outro tipo de problema.”

Trabalho multidisciplinar
A tarefa de cuidar dos bichos não é só dos veterinários. Juntamente com eles estão biólogos, residentes e tratadores. Aliás, os cuidadores têm papel fundamental no tratamento e prevenção de doenças que acometem os animais. “São eles que lidam com o dia-a-dia dos bichos e, portanto, ficam a par da alimentação, do comportamento e do modo de agir. Qualquer alteração percebida é subsídio para o veterinário avaliar um possível problema, a gravidade de sua extensão ou fornecer medicação”, ressalta Claudia.

O Zoológico de São Paulo tem estrutura própria para atender os animais – desde consultas de rotina até cirurgias mais complexas e exames. “Atuamos em várias frentes: na prevenção, no diagnóstico, no tratamento e no acompanhamento diário das doenças”, diz.  Obviamente, as formas de tratar e acompanhar os animais também são distintas.

Claudia Regina Grosse Rossi Ontivero, médica veterinária da Divisão de Veterinária da Fundação Parque Zoológico de São Paulo.

“É comum anestesiarmos um leão, por exemplo, a distância com o uso de dardos ou arma específica para poder realizar um raio-x ou qualquer outro procedimento. Em aves pequenas o mais comum é o transporte da espécie em caixas para o atendimento no consultório”, exemplifica.

Bom senso e criatividade
Para ela, cada caso é único. “Muitas vezes não temos uma medicação específica para uma anta, mas sabemos que o seu comportamento é semelhante ao de um cavalo. Assim, com base na comparação, é possível definir o tratamento.”

O Zoológico tem implantado o PECA – Programa de Enriquecimento Comportamental Animal –, ou seja, várias atividades, como condicionamento, que visam a saúde e o bem-estar dos bichos. “É um trabalho que nos ajuda muito no desempenho das tarefas diárias”, diz. “Através do condicionamento, com apenas um comando o ornitorrinco pode abrir a boca e facilitar a escovação dos dentes. Com outro, os chimpanzés ficam calmos e em posição que facilita ouvir o coração”, afirma.

Na avaliação de Claudia, todas essas peculiaridades fazem a atividade do veterinário ser apaixonante. “Mas engana-se quem pensa que só o amor pelos animais basta. Por trás desse conhecimento, aprendizado e luta pela saúde dos bichos há uma rotina burocrática de relatórios, planilhas e reuniões. Além disso, é preciso estrutura emocional para lidar com a perda”, pondera.

*Confira o cargo de veterinário no Mapa VAGAS de Carreiras.