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Antes de fazer Medicina, é preciso muito esforço!

Por Lucia Helena Corrêa
Foto de Rogério Montenegro

Ao contrário da maioria dos jovens na idade dela, Carolina Nicácio Penteado sabe muito bem o que quer. Aos 18 anos, sonha com a Medicina Pediátrica de caráter social, praticada nos lugares mais pobres “no interiorzão do Brasil” ou na “África massacrada pela fome” (quem sabe?).

A inclinação para a Medicina humanitária logo se vê em uma visita rápida à página que a moça mantém na rede social. Ali, ela exibe fotos que denunciam a pobreza e o estrago que a miséria faz na saúde das crianças mundo afora.

“A Medicina, na totalidade dos países em desenvolvimento, anda sucateada, reconheço. Mas estou disposta a pagar o preço e me colocar a serviço das melhorias, fazer a diferença. Não podemos desistir, sem tentar mudar aquilo que julgamos necessário mudar”, defende Carolina.

A convicção gera resultados na prática: ano passado, sem cursinho preparatório, recém-saída da escola de segundo grau, fez 72 pontos no vestibular para Medicina. “A nota de corte foi 75”, ela conta, entre orgulho e lamento.

De família humilde – filha de pai jornalista, assessor partidário a serviço das causas políticas; e de mãe professora de Artes para a inclusão social das populações carentes da periferia de São Paulo – Carolina sabe que ela própria precisa ter “muita, muita paciência até conseguir se formar pediatra – “o sonho dos sonhos”.

Como? Trabalhando em alguma coisa que lhe garanta dinheiro para se manter e ajudar à família, e, ao mesmo tempo, autonomia para poder se dedicar aos estudos – pelo menos, duas horas por dia, atracada com os livros de Biologia, Física, Química e Matemática, além de todas as matérias do curso de Análises Clínicas no Colégio Tableau, na zona Leste de São Paulo.

“Antes de me tornar médica, posso muito bem dispor de profissão que me garanta conforto e tranquilidade: técnica de laboratório”, argumenta a jovem estudante.

Cosméticos, para começar

Mas, na batalha do primeiríssimo emprego, ela aderiu o trabalho autônomo, na qualidade de representante de vendas de uma conhecida indústria de cosméticos. “Para garantir algum dinheiro e tempo para o curso de nível técnico, eu não poderia ter escolhido coisa melhor”, argumenta a jovem.

Caprichosa em tudo aquilo que faz, e contando com uma clientela formada de familiares, vizinhos, amigos e professores, já no primeiro mês, como vendedora, bateu, em muitos reais, a meta estabelecida pela coordenadora do grupo a que ela pertence.

A remuneração, segundo Carolina, é bastante justa: 30% de participação sobre cada venda, no caso dos cosméticos, e 15% quando se trata de livro, roupa, calçado, bijuteria ou artigo para casa. “Trabalhando direitinho, ganho, fácil, o equivalente a mais de um salário mínimo, o que já ajuda demais”, contabiliza a jovem, que ainda encontra tempo para praticar dois hobbies, navegar na Internet, claro, e ouvir música, uma paixão desde sempre.

“A Internet é a grande conquista deste século, dizem meus professores. E eles têm razão: é um milagre poder chegar a todos os países do mundo sem sair de casa. Quanto à música é um dos caminhos que vão dar paz”, afirma Carolina.