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Químico cria brinquedos em SP há 40 anos

Pioneiro do setor fala sobre as dificuldades de um mercado peculiar

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

Se até pouco tempo atrás os pedidos feitos aos pais no Dia das Crianças eram brinquedos como bonecas e jogos de tabuleiro, agora é a tecnologia quem domina o imaginário dos pequenos. Videogames, tablets e celulares conquistaram a molecada com jogos recheados de cores, sons, luzes e efeitos capazes de entretê-la por horas.

Apesar de representar um caminho sem volta, ainda é possível dividir o espaço conquistado pelos produtos tecnológicos com brinquedos educativos, cujas funções focam em experimentos práticos e socializantes. Diferentemente do que muitos podem imaginar, atrair os pais pode ser mais difícil do que os próprios filhos, que ainda se encantam ao entrar numa loja repleta de carros de madeira e bonecas de pano.

Esse é o caso da Trenzinho Brinquedos Educativos, loja de São Paulo que há mais de quarenta anos prega que “brincar é coisa séria”. Sua história começa no início dos anos 1970, momento em que seu proprietário, o químico Altino Ito, passa a auxiliar sua esposa na criação de brinquedos adequados para crianças pequenas.

“Ajudei ela na pesquisa por materiais disponíveis para esse tipo de brinquedo. Constatamos que havia uma carência muito grande nessa área e daí surgiu a ideia de montar uma pequena empresa de brinquedos educativos. Quando meu primeiro filho nasceu passei a botar a mão na massa e progressivamente fui me envolvendo com o serviço”, recorda ele, que passou a fazer leituras voltadas ao desenvolvimento pelo brincar.

“Como professor de química sempre achei que os experimentos tinham que estar próximos do dia-a-dia. O que fizemos foi estudar cada etapa do desenvolvimento da criança, entendendo suas necessidades e produzindo brinquedos que as atendam”, completa.

Trenzinho Brinquedos Educativos loja de São Paulo Altino Ito químico

Enquanto os brinquedos voltados aos menores de três anos lidam com a parte sensorial, permitindo que os pequenos avaliem coisas como cor, peso e texturas, a produção voltada aos que já passaram dessa idade foca na socialização, como jogos simples que valorizam processos colaborativos e competitivos. “Nesse período a criança precisa entender que tem que esperar a vez de jogar e que se perder tem que levar numa boa”, ressalta o empresário.

Muito além da loja de brinquedos
Com o tempo ele percebeu que havia muito mais trabalho do que a criação e comercialização de brinquedos educativos. Um de seus orgulhos envolve o pioneirismo na classificação etária de seus produtos. “Só recentemente os fabricantes passaram a colocar indicação de idade nos brinquedos – algo que fazemos há quarenta anos.”

Além de ser responsável por dez empregados e uma cadeia produtiva que envolve aproximadamente 150 pessoas, como marceneiros e costureiras, o veterano ainda encontra tempo para presidir a ABRINE (Associação Brasileira de Brinquedos Educativos), organização sem fins lucrativos que busca melhorias para um setor formado por empresas pequenas.

“Tudo funciona na base do voluntariado, pois são empresas bem fundo de quintal. Tentamos nos aproximar da ABRINQ, mas não deu certo por sermos pequenos e pregarmos outra filosofia de trabalho. Também precisamos vender para ter lucro, mas isso tem que ser consequência de um serviço bem feito”, defende.

Mesmo com as diferenças, seu Altino deixa claro que não tem posturas radicais em relação aos eletrônicos. “Não temos nada contra brinquedos tecnológicos. Na medida que a criança adquire o básico de desenvolvimento é bom que ela aprenda a brincar de outras formas. Mas até os cinco anos acho muito prejudicial a criança passar muito tempo na frente de uma telinha.”

“Por outro lado, quando você manuseia coisas concretas e lida com encaixes e montagens, tudo isso envolve uma persistência, dedicação, que é diferente do virtual, onde o imediatismo prejudica a reflexão e concentração. Precisamos saber estabelecer um equilíbrio”, ensina.

*Confira os cargos de professor de química, marceneiro e costureira no Mapa VAGAS de Carreiras.