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Francisco: o trabalho é um santo remédio

Por Lucia Helena Corrêa
Foto de Alexis Flores Perez

O trabalho é um santo remédio. Principalmente para alguém com insuficiência renal, que consegue, por meio do trabalho, manter a cabeça ocupada e a mente saudável. Até mesmo o tratamento é tortuoso: as sessões de hemodiálise causam sequelas tais como hipotensão e, às vezes, extremo cansaço. Faz parte dessa realidade o vendedor e auxiliar de escritório Francisco Leite da Silva.

Paraibano radicado no Rio de Janeiro, Chico perdeu a função renal em 2007. Aposentou-se por invalidez da função de vendedor autônomo de roupas de cama, mesa e banho.

“Bons tempos aqueles em que eu, sacoleiro, mascate, frequentava as lojas do Brás, na região leste da capital paulista, e vivia na ponte rodoviária Rio-São Paulo, em viagens frequentes…”

Chico perdeu a função renal em 2007. Isso não tirou seu desejo de trabalhar

Chico perdeu a função renal em 2007. Isso não tirou seu desejo de trabalhar

Depois de experimentar uma vida tão movimentada, foi difícil aceitar o marasmo da aposentadoria. Isso quase fez Chico sucumbir à depressão, agravada pelo fato de a pensão não ser o bastante para se manter longe da família, que vive em João Pessoa. No Rio de Janeiro, o rapaz tem duas irmãs. “Mas ambas têm a própria vida e não podem me fazer companhia regularmente e nem me ajudar, caso eu precise de apoio financeiro”, ele explica, compreensivo. O mesmo acontece com o amigo, que é cuidador de idosos e, vira e mexe, o visita.

A melhor terapia contra a insuficiência renal e financeira, assim como contra a tristeza, enfim, é o trabalho, resume Chico. Eis a razão pela qual, em 2008, ele decidiu “voltar ao batente” para trabalhar nos escritórios de um grupo de advogados engajados na seção carioca do movimento Tortura Nunca Mais. Criado em 1985 por iniciativa de ex-presos políticos que viveram situações de tortura durante o regime militar e familiares de mortos e desaparecidos políticos, o grupo rapidamente consolidou-se na liderança das lutas em defesa dos direitos humanos.

“Além de reforçar a receita, a atividade produtiva anima pelo menos dois dos três em que não faço hemodiálise. E só trabalho meio expediente”, argumenta o escriturário. “Se eu vivesse de casa para a clínica de hemodiálise e dela para casa, morreria de tédio.”

“Além disso, a natureza da atividade, de enorme alcance político-social, me faz sentir útil, apesar da insuficiência renal, doença que, ao longo do tempo, traz várias limitações físicas e, às vezes, até emocionais”, avalia.

Dicas de carreira de Francisco

  • Na doença, é importante manter-se produtivo.
  • Trabalho é um santo remédio.
  • Ajuda muito ter fé em si mesmo e na sua capacidade de se superar.
  • Lembre-se: importante é estar vivo.
  • Não se queixe. Transforme as tragédias em caminhos para a felicidade.