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De colecionador a numismata

Profissional conta como paixão por cédulas e moedos tornou-se ofício

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

Muitas profissões nascem de hobby que as pessoas têm. Dentro dessas a de numismata quase que obrigatoriamente vem da paixão que o envolvido possui por colecionar cédulas, moedas e medalhas – um ofício curioso e que lida com um universo bastante particular.

Numismata Claudio AmatoAos 61 anos o numismata Claudio Amato é um dos profissionais a mais tempo em atividade no país. Um trabalho que surgiu, de fato, de uma paixão de infância. “Eu colecionava desde os nove anos e de tanto ficar em contato com a coisa acabei me transformando em um comerciante”, conta ele, que é formado em engenharia.

Questionado sobre a formação de um numismata, Amato afirma que não há nenhum curso formativo, mas uma série de palestras e cursos específicos que oferecem ferramentas necessárias para a execução do serviço. “O numismata é aquele que classifica cédulas, moedas e medalhas de acordo com os padrões estabelecidos para esses elementos, com base em catálogos e publicações”.

Uma das principais características desse profissional é a minúcia, pois muitas vezes as diferenças que determinam o valor do material analisado são tênues. “Precisa ter conhecimento de história, pelo menos uma base, pois a moeda é um pedaço da história. Se ele não conhecer, como vai saber classificar?”, questiona Amato. “E precisa ter senso de observação, paciência, vontade de ler, conhecer. Se não vai ser apenas um vendedor. O numismata é aquele que entende do negócio”.

Numismata Cedulas
Seu dia a dia é composto por processos de compra e venda de material, lidando diretamente com um público que vai do curioso que quer vender uma peça da qual desconhece o valor até um colecionador em busca de um item específico, como a Peça da Coroação, a peça mais difícil entre as moedas brasileiras.

“Trata-se de uma moeda de ouro de 6.400 réis que foi feita Claudio Amato Numismatapara a coroação de D. Pedro I como imperador do Brasil. Ela é rara porque na época todo o ouro do Brasil tinha sido levado para Portugal. E fizeram apenas 64 peças que foram distribuídas no baile da coroação, que foi no começo de dezembro de 1822″, conta ele.

“O problema foi que o imperador só tomou conhecimento das moedas a hora que as viu serem distribuídas no baile. Não passou pelo crivo dele e ele não gostou delas, pois o apresentavam com o busto nu e com uma coroa de louros, como um imperador romano. Dessas moedas são conhecidas aproximadamente 16 apenas”, complementa.

Apesar de soar como um ofício curioso, Amato desaconselha os interessados a entrar nesse mercado. De acordo com ele em tempos de recessão as pessoas cortam o que é supérfluo – o que é pior no caso das coleções, em que qualquer um pode parar agora e continuar depois.

Numismata Moedas
“É um mercado muito sacrificado. Quem já está a tantos anos investindo julga que não vale a pena sair. Mas se alguém quiser se aventurar sugiro que não o faça. Se a pessoa gosta de colecionar é melhor não entrar, pois é como dizem das drogas: o bom traficante não usa o produto. No nosso caso o bom numismata é o cara que colecionava, mas agora não coleciona mais”.