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Passeios e viagens: tarefa para o gestor de turismo

Enquanto você se diverte, profissional do setor ‘rala’ nos bastidores

por Guss de Lucca
fotos: divulgação

Quem não gosta de planejar uma viagem? Escolher um lugar para visitar, pensar nos pratos de culinária local a serem experimentados, em todos os passeios e compras que podem entrar no roteiro? Se para grande parte das pessoas isso é parte da diversão, para quem trabalha com gestão de turismo isso é serviço – puro e simples.

No caso de Roberto Vertemati, diretor de rede de varejo da CVC, o prazer em preparar viagens conseguiu superar a vocação musical. “Quando prestei o vestibular eu já era músico profissional, com carteirinha de ordem dos músicos e todo o resto. No dia da inscrição fui determinado a prestar música, mas na hora da inscrição eu mudei o X pra turismo – não é papo não, é sério”, conta.

Sua facilidade em lidar com mapas e memorizar informações dos lugares aonde ia foi crucial para a decisão. “Tive oportunidade de viajar com a família de carro pelo Brasil. Como já conhecia Nordeste, Norte e guardava as informações com facilidade, parentes e amigos passaram a me pedir dicas. Foi nessas conversas que acabei vendo que tinha uma aptidão pra isso.”

Performance de vendas
Foi assim que a música ficou para segundo plano e as viagens entraram na vida do gestor de turismo, que já completou duas décadas atuando no mercado. Hoje seu dia a dia é voltado à realização de sonhos dos viajantes. “Temos uma rede grande de agências credenciadas e franquias – são 800 lojas franqueadas no Brasil. Minha rotina é baseada na gestão desses estabelecimentos, analisando a performance de vendas de cada uma para garantir seu bom funcionamento”, diz.

Entre as questões que fazem parte desse processo estão os tipos de viagem que pode ser oferecidas para cada cliente. “Olhamos para o futuro. Sempre pensamos no que podemos vender mais, em quais são as novidades, além de procurar entender o que é bom para públicos diferentes, como o da região Norte e da região Sul”, explica Roberto.

Roberto Vertemati, diretor de rede de varejo da CVC

Muitos imaginam que o gestor de turismo precisa ser uma pessoa viajada, com o passaporte cheio de carimbos dos lugares mais comuns aos mais exóticos – o que não é uma verdade. “E importante conhecer um pouco, sim. O ideal seria conhecer o máximo de lugares, mas passaríamos a vida viajando e ninguém pagaria a gente por isso”, brinca Vertemati.

“Mais que o destino, você precisa conhecer a lógica do processo. Como é organizado um pacote? Como o hotel recebe os hóspedes? Como são os passeios, os aeroportos? Conhecendo como funciona um, você entende o funcionamento de todos. Não é preciso fazer todas as viagens de trem pela Europa, por exemplo. Se você fizer uma, já passa entender o funcionamento.”

A experiência na estrada, somada a um bom material de pesquisa e consulta, são as ferramentas que permitem a um gestor de turismo servir bem seus clientes. Principalmente quando problemas acontecem e precisam ser rapidamente solucionados. “Quando você pega um passageiro em deslocamento, você tem uns sete prestadores de serviços com ele – a companhia aérea, a agência de passeios, a rede hoteleira – e ainda precisa lidar com questões como o clima e atrasos de voos. Nessa hora é preciso agir rápido”, salienta.

Profissionais não podem errar
“Quando falamos de viagem é preciso pensar que aquela família trabalhou o ano inteiro pra ter 15 dias de férias, ela sonhou, debateu… se der algo errado você pode matar o sonho dessas pessoas – e elas só vão recuperar depois de mais um ano de trabalho. Por isso digo que precisamos de profissionais que entendam que não podemos errar, precisamos estar um passo à frente, sempre atentos aos detalhes”, completa Vertemati.

Ele acredita que o mercado de turismo está receptivo ao profissional disposto a lidar com os sonhos das pessoas, que goste de estar em contato com gente. “Além disso, é importante ter conhecimento básico de história, geografia e entender a parte técnica do serviço – o que pode ser adquirido no dia a dia. Uma segunda língua é desejável, mas eu não deixaria de contratar alguém bom por isso. É preciso saber pronunciar os nomes das cidades, isso sim.”

Entre os desafios da profissão, para o gestor nenhum supera os pedidos de roteiros malucos que eventualmente aparecem. “É muito bom quando surge um cliente com esse sonho maluco, porque você precisa estudar para atendê-lo. Quanto mais complexa é a viagem mais você vai ter que estudar pra entender visto, vacina, questões geopolíticas, pois tem países onde você não entra se passou antes em outro cujo governo tem conflitos. Às vezes você monta o roteiro por ordem lógica, geográfica, mas a política mostra que não pode ser assim. Particularmente adoro desses desafios.”