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Disciplina, honestidade e tinturaria

Família com 42 anos no mercado de lavanderias fala sobre sua história

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

Como ocorre em boa parte dos serviços que fazem parte do cotidiano dos brasileiros há décadas, como o de quitandeiro e barbeiro, o crescimento de grandes redes compromete a existência de boa parte desses trabalhadores autônomos e pequenos empresários – mas não de todos.

Tintureiro Shigehiro MaemuraUm exemplo disso é a família Maemura, que há 42 anos administra o próprio negócio no Brooklin, bairro da zona sul de São Paulo. É no pequeno estabelecimento conhecido como Lavanderia e Tinturaria Luiza que o casal Shigehiro e Luiza Maemura cuida das roupas de moradores com o devido cuidado.

Quem conta a história do negócio é Silvia, filha do casal que trabalha com comércio exterior e às vezes “quebra o galho” da família ajudando na tinturaria. “Tudo começou com o meu pai. Ele morava no interior, em Piedade, e aos 25 anos foi trabalhar com o irmão como aprendiz em uma tinturaria da cidade”, explica ela, ressaltando que nenhum deles recebeu salário durante um ano. “Eles queriam sair do campo e tentar algo novo”.

Com a experiência adquirida, o patriarca veio para São Paulo, onde depois de passar algum tempo trabalhando em uma lavanderia conseguiu economizar e montar seu próprio estabelecimento.

“Não foi muito fácil porque naquela época ele fazia tudo de bicicleta”, conta dona Luiza, que aos 65 anos continua trabalhando ao lado do marido, atualmente com 71 anos. “Ele ia nas casas buscar e levar as roupas. Hoje temos carro e telefone. Antigamente não, andávamos pelo bairro dando nosso cartão.”

A longevidade e qualidade dos serviços da família Maemura garantiram a eles uma clientela fiel, que nãoTinturaria troca a tradicional tinturaria por nenhuma outra. “Hoje em dia o maquinário está bem mais moderno, mas a lavanderia continua funcionando como antes, sem se preocupar com a quantidade, mas com a qualidade. Aqui não cobramos por quilo ou cesto, mas por peça individual”, explica Silvia. “Por isso as roupas deixadas aqui são mais finas, mais difíceis de lavar, como ternos de casamento e vestidos de festas.”

Apesar da prática e experiência, a filha diz que idade avançada dos pais somada ao cotidiano puxado, que envolve jornadas de dez horas de segunda à sábado, tem feito a família pensar em passar o negócio. “Agora meu pai está nessa fase de querer aposentar, mas pela idade e não por não ser um bom ramo. Tem coisas pesadas como tapetes e edredons molhados – carregar tudo isso requer bastante esforço físico”, afirma.

Mesmo assim as roupas continuam chegando e sendo tratadas com o mesmo cuidado de quatro décadas atrás. Para a mãe, dona Luiza, o segredo da longevidade da tinturaria está na disciplina e sinceridade.