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Instruindo o computador através de linhas de códigos

Mercado se mantém aquecido para programadores e desenvolvedores

por Guss de Lucca
fotos: arquivo pessoal

É difícil imaginar na atualidade uma casa em que não haja, no mínimo, um computador. Nas últimas décadas o aparelho ficou tão popular quanto alguns velhos conhecidos dos brasileiros, como a televisão, o rádio e o automóvel. Além do apreço, os computadores também sustentam um mercado de profissionais voltados ao domínio de suas ferramentas: o dos programadores e desenvolvedores de linguagens.

Aos 33 anos, Rodrigo Fraga é um desses “escritores engenheiros”, como ele mesmo define. “O programador é o cara que instrui o computador através de linhas de código. Para uma pessoa leiga diria que escrever um código é semelhante a escrever um livro: você precisa de uma coesão, começo, meio e fim. Mas ao mesmo tempo em que escreve, o desenvolvedor está construindo algo – aí entra a parte de engenharia”, explica.

Influência da família
Fraga conta que o interesse por tecnologia surgiu na infância, por influência da família. “Sempre gostei de computadores. Eles fazem parte da minha vida desde os sete anos, quando meu avô apareceu com um micro 286. Meu pai também trabalhava com isso, então eu ficava atrás dele o tempo todo – era louco pelos jogos”, recorda o programador, que não pensou duas vezes ao optar pela faculdade de tecnologia da informação.

Além do prazer em poder trabalhar com algo que gosta, a profissão o ajudou a realizar o sonho de sair do País. Vivendo no Canadá há pouco mais de três anos, ele conta que a mudança de ares, estimulada por uma viagem a passeio, foi causada pelas cargas horárias exigidas por algumas das empresas de TI do Brasil.

Rodrigo Fraga programador no Canadá

“A única coisa frustrante no Brasil é que alguns projetos são negociados com prazos absurdos. O cara vende o pacote, fica com a comissão de 30% e o resto que se vire para entregar. Eu estava fazendo 280 horas por mês”, lamenta. “Aqui eu trabalho oito horas por dia, com almoço, saindo na hora, tudo planejado. Quando preciso trabalhar até mais tarde, como ocorreu ontem, que saí às duas da manhã, sou informado com um mês de antecedência e tiro uma folga na outra semana”, conta.

Rotina frenética
Mesmo com a rotina frenética, ele vê com bons olhos o mercado brasileiro. Ao menos a busca por bons profissionais fez com que muitos salários fossem inflacionados. “Você vê muita gente sem experiência querendo um salário maior – e às vezes até ganhando. A gente treinou umas dez pessoas para trabalhar com um software e em um ano eles estavam fora da empresa, ganhando quase o que eu ganhava.”

Independentemente da linguagem de programação utilizada, que pode ser aberta, (a famosa open source, como Java e PHP) ou fechada (tal qual .NET, ABAP e PL/SQL), os programadores se tornaram trabalhadores requisitados – ao menos os bem instruídos. “Para cada tarefa que você fizer existem linguagens melhores. Claro que cada pessoa se especializa em duas ou três, mas é preciso estar aberto para entender diversas. O problema é que ao invés de aprender linguagens hardcore, que compreendem a essência das linguagens, a molecada vai atrás de coisas prontas na internet, recorta e cola. Eles não têm aprofundamento na resolução do problema”, critica.

Matemática e construção lógica
Se por um lado esse comportamento denigre a profissão, ele permite que os interessados em realizar bons trabalhos possam mostrar serviço. Para quem quer começar Fraga sugere muita leitura de livros sobre programação, matemática e construção lógica. “Para aprender a dar instruções ao computador você precisa de muita atenção. É como resolver um problema de encanamento na sua casa. Às vezes você arruma o cano e torneira não funciona mais. Saiba quais são os passos para resolver o problema e conheça suas variáveis.”