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Atendente de telemarketing: área de oportunidades

por Rejane Tamoto
fotos por Ailton de Oliveira

Na maioria das situações, a profissão de atendente de telemarketing é considerada porta de entrada para os jovens no mercado de trabalho. Mas, de primeiro emprego, tem se tornado uma opção para pessoas na faixa dos 40 anos de idade.

Oportunidades de colocação não faltam e, segundo especialistas, é possível crescer profissionalmente nesta carreira. Afinal, para ser atendente de telemarketing é preciso ter, além do segundo grau completo, responsabilidade, comprometimento, iniciativa, bom humor e sensibilidade para lidar com clientes.

“Buscamos pessoas que têm uma audição ativa, já que ouvir não é o mesmo que escutar”, explica Ricardo Pires, coordenador operacional da Trilha Tecnologia, que há 16 anos presta serviços de database e call center a outras companhias.

Segundo Pires, as centrais de call center formam os jovens para o mundo corporativo. “Ele aprende o que é empresa, estrutura, hierarquia e cumprimento de metas e esse conhecimento pode ser levado para outra área. Toda a parte técnica e de abordagem com o cliente ele aprende na empresa, mas o comprometimento é uma característica que deve vir com ele. O que acontece hoje é que os jovens já vêm avançados em conhecimentos de tecnologia e de mídias sociais, o que auxilia consideravelmente no entendimento”, avalia Pires.

O desafio, no entanto, tem sido reter os jovens e é aí que entra a preferência por pessoas mais maduras. Segundo o coordenador da Trilha, a companhia adota estímulos pessoais e financeiros para cativar os 40 funcionários do call center, como cartões de prêmios e folgas, além de dois tipos de treinamentos e feedbacks.

“Um jeito de reconhecer é deixar o profissional passar um dia na supervisão, para entender o trabalho. Com os estímulos, nosso turnover é baixo, de 0,5%, mesmo porque a maioria das campanhas de telemarketing que desenvolvemos é de relacionamento e de baixo nível de estresse para o funcionário”, diz Pires.

Ele lamenta que, entre as mais de 700 mil pessoas empregadas no setor hoje no Brasil, apenas 10% dos que ingressam no mercado enxergam o operador de telemarketing como uma profissão. “Eu encaro como profissão porque comecei como operador, fui analista, supervisor, coordenador e gerente. Me formei em administração de empresas e fiz pós-graduação em Recursos Humanos e Desenvolvimento de Pessoas”, lembra.

Por causa dessa dificuldade atual, muitas empresas, inclusive a Trilha, têm oferecido oportunidades a profissionais na faixa dos 40 anos de idade. “É algo que estamos recomendando às empresas, que identifiquem profissionais maduros que tenham flexibilidade, vontade de aprender coisas novas e gana para treinar e desenvolver”, conta Angela Mota Sardelli (foto abaixo), especialista em Recursos Humanos e diretora da Vox Solution, que há mais de 20 anos treina, desenvolve e seleciona profissionais de call center, atendimento e vendas.

Celeiros de formação
Ela destaca que homens e mulheres podem vislumbrar a possibilidade de serem líderes de equipe e coordenadores dentro das organizações. Para isso, no entanto, os profissionais também dependem dos empregadores, que são verdadeiros celeiros de formação. “Para fazer carreira dentro de um call center, é preciso que a empresa ofereça programas de desenvolvimento, salários melhores e incentivos”, acredita Ângela.

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A combinação entre as condições oferecidas aos profissionais da área, as características pessoais dos mesmos e a busca constante por formação permitem que os atendentes de telemarketing subam degraus na carreira, chegando a cargos de coordenador ou gerente. As empresas do setor acabam formando o profissional, já que não existe uma faculdade para exercer esse trabalho. Mas uma dica é prosseguir estudando, independentemente de não existir um curso específico para isso. Foi o que fez Alessandra Cristina Francisco Pais, de 38 anos, dos quais 20 na profissão.

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Ela fez graduação em marketing e conta que começou a atuar com televendas em uma empresa de instrumentos musicais. Pouco tempo depois, foi trabalhar para uma companhia do setor de telecomunicações, na qual foi bem-sucedida e conseguiu atingir metas e receber premiações e bonificações. Nesta empresa, foram apenas dois anos para que ela se tornasse responsável por equipes de telemarketing ativo, trabalho que exerceu até ser chamada por outra corporação do setor financeiro para assumir o atendimento receptivo, o conhecido Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC).

“Passei por experiências variadas, já que no SAC as metas são distintas e muito baseadas em indicadores, como o tempo médio de atendimento. Conheci o outro lado e fui gerenciar equipes de vendas por telefone, porta a porta e pontos de venda em outra companhia. Surgiu, então, a oportunidade de abrir minha própria empresa”, relata. Alessandra entende que mais do que todas as características listadas acima, o atendente de telemarketing deve ter paixão pelo que faz para enfrentar os desafios da profissão e crescer.

É com esse espírito que Thamirys Aparecida Felix, assistente de supervisão de call center, de 24 anos, vislumbra o seu futuro. “Gosto do call center, da operação, de ajudar as pessoas e de desenvolver e realizar projetos. Pretendo ainda cursar a faculdade de contabilidade, mas planejo continuar nessa área”, conta. Thamirys começou como atendente de telemarketing há cinco anos, dos quais três na Trilha. “O bom dessa área é que é possível subir facilmente para cargos de assistente, monitor e supervisor. Mas para isso é preciso ser proativo, ter comprometimento, iniciativa, pontualidade, responsabilidade, saber lidar com o público e bater metas. Hoje sou assistente e ganho o dobro de quando comecei. Mas espero subir ainda mais”, projeta Thamirys (na foto com o chefe Ricardo Pires).

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