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Soldador: responsabilidade é fundamental

por Fefa Costa
Fotos por Rogério Montenegro

Investimentos em infraesturtura e no pré-sal realizados no Brasil nos últimos anos alavancaram muitas profissões ligadas à construção. Soldador é uma delas.

Obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas, usinas de mineração e energia, empreendimentos na construção civil, fábricas automobilísticas e os setores naval, petrolífero, de gás, entre outros, são áreas onde os especialistas em solda podem atuar.

Com salário inicial estimado de R$ 2.500 – podendo chegar aos R$ 8 mil, dependendo da qualificação do profissional -, é um segmento atraente para quem possui formação técnica ou quer aprofundar conhecimentos, com opções de graduação, pós e mestrado.

Mas os elementos fundamentais para aliar a fusão de ganhos à segurança profissional são a responsabilidade e a busca por uma boa formação.

Um mercado onde não falta oportunidade
Antônio Carlos Almendra, coordenador do curso de Tecnologia em Soldagem da Faculdade de Tecnologia (FATEC), fez parte da primeira turma de graduação da instituição, em 1977.

Trabalhou em indústrias até 2011. Um ano depois, surgiu a oportunidade de lecionar na Fatec.

Com 37 anos de profissão, ele conta que o curso surgiu de uma necessidade do mercado e que o segmento, ainda nos dias atuais, está carente de técnicos qualificados e capazes.

Ser um profissional proativo, que tenha interesse em aprender as novidades tecnológicas e que esteja envolvido no processo industrial é garantia de destaque e ser bem cotado nas ofertas de emprego.

Para especialistas em solda com esse perfil, o professor da Fatec assegura que não irão faltar oportunidades. “O mercado, diferente de outras décadas, está descentralizado. Temos demandas de profissionais em todo país”, revela.

Ele destaca a importância da formação técnica aos profissionais da área na hora de fazer a mediação entre a engenharia e o chão de fábrica.

“Antes, a maioria dos alunos da graduação saiam dos cursos técnicos oferecidos no secundário. Tinham uma maior noção prática. Hoje é diferente – muitos chegam ao superior sem muita visão do processo industrial.”

Para preencher essa lacuna, cursos de curta duração em técnicas de soldagem ou inspetor de solda fazem toda diferença. Outra orientação é o profissional investir em network e manter-se sempre informado sobre os avanços no setor.

Além disso, segundo o professor, empresas precisam de alguém que saiba aplicar processos com qualidade.

Mudanças nas características da mão de obra
Para Paulo Eduardo Alves Fernandes, coordenador do curso de soldagem no SENAI, as últimas duas décadas resultaram em uma quebra do paradigma entre a formação prática e o conhecimento teórico.

“Hoje a formação, em todos os níveis, pede para que o profissional tenha propriedade em todo o processo. Não basta ficar satisfeito com uma solda bonita por fora. Envolve mais que isso, é preciso saber o que está fazendo.”

No SENAI há cursos de formação desde o projeto Jovem Aprendiz (ao término do ensino fundamental) até a pós-graduação. As turmas estão sempre completas, confirmando o interesse pelo curso.

Paulo Eduardo 146 nova

Fernandes é um exemplo de educação continuada. Começou no curso técnico, aliado ao secundário, e desde 1988 atua na área.

Diz que os resultados obtidos quando o profissional emprega boas práticas no trabalho são gratificantes.

“Uma solda mal feita pode colocar vidas em risco. Ter conhecimentos sobre materiais e qualidade no processo garantem o exercício responsável da profissão.”

Para o professor, a complexidade da soldagem, por envolver processos de metalurgia, elétricos, materiais e segurança, deve ser administrada com uma composição simples: gosto pelo trabalho, estudo e responsabilidade.

“Antigamente o aprendizado era na prática, muitos não tinham formação. Hoje sem formação específica não tem como se manter no ramo”, avalia.

E a busca por qualificação pode ser feita em qualquer momento profissional. A diversidade de cursos facilita a conciliação entre tempo (ou falta dele) e trabalho.

Outro tema muito recorrente a quem segue carreira são os processos de automação – e o medo dos profissionais com maior tempo de mercado de perderem seus postos.

Quanto a isso, o professor é bem claro.

“Só corre o risco de perder o posto aquele que não quer se atualizar. Apesar da presença cada dia mais comum de robôs e da automação nas indústrias, todo o preparo e o sucesso do processo dependem da força humana.”

Na visão do especialista, a tecnologia vem para sanar problemas que eram recorrentes à classe, como a questão da salubridade do ambiente de trabalho e dos desgastes físicos dos profissionais, como a LER (Lesão por Esforço Repetitivo), por exemplo.

A novidade é que nos últimos anos vem crescendo o número de mulheres na solda, com o segmento se abrindo ao público feminino. “É definitivamente um mercado com muitas possibilidades em expansão”, finaliza o coordenador do SENAI.

Dicas para quem está ou quer ingressar na área de soldagem
– Esteja sempre antenado nos avanços do mercado. Os diversos tipos de soldas exigem profissionais com formação específica.

-Para quem já está atuando, é aconselhável buscar cursos de curta duração. Muitos são oferecidos pelas próprias indústrias, visando a criação de mão de obra.

– Não veja os processos de automação como uma ameaça. A maior parte do trabalho ainda é executada com mão de obra humana. Não tenha medo da tecnologia.

– A complexidade dos processos exige conhecimento e gosto pela profissão. O trabalho tem uma dinâmica intensa, por isso, não se motive apenas pela possibilidade de ganhos.

Antonio Carlos Almendra

Confira mais informações sobre soldador no Mapa VAGAS de Carreiras.

*O dia do soldador é comemorado em 23 de setembro.