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Rafael perdeu a visão, mas enfrentou o mercado de trabalho com inteligência

Por Fefa Costa
Foto de Facundo Reyna

Rafael Albuquerque

Estar no movimento constante da busca por oportunidades e soluções é a rotina de Rafael Albuquerque. Consultor do SEBRAE para empreendedores, o técnico de redes de computadores fez de sua experiência individual um case de superação e competência.

Aos 28 anos, Rafael descobriu uma doença em seus olhos, chamada Retinose Pigmentar. Soube, naquele momento, que em pouco tempo iria perder completamente a visão.

“Minha primeira reação foi buscar uma cura. Não passava nada em minha mente que não fosse continuar enxergando. Depois de um tempo, resolvi arregaçar as mangas e lidar com a perda gradativa do sentido”, comenta.

Mas, o que antes era ocupado pelo desencanto, deu espaço para criatividade e esperança. Rafael se propôs, de maneira prática, a organizar sua vida. Principalmente sua vida profissional.

Passou a colocar em seu currículo ser portador de deficiência e constatou que o mercado ainda tem muitos preconceitos.

Para ele, uma parte das empresas de Alagoas – onde vive – não está preparada para a geração de vagas inclusivas e que a orientação é o melhor caminho, tanto para quem precisa do profissional quanto para o profissional com deficiência que precisa de colocação.

“Meu currículo foi descartado várias vezes por declarar que estava ficando cego. Queria ser honesto e parecia ser negativo. Naquela hora foi difícil conter a tristeza. Mas não me deixei abater.”

Insistia para que o chamassem para uma entrevista. Queria falar, mostrar capacidade e habilidade.

“Você pode fazer qualquer coisa. Mas trabalhar com o que gosta é uma obrigação. Não enxergava, mas era capaz de fazer o que fazia. Mostrei que era um bom técnico e com a perda da visão, poderia me tornar bom consultor.”

Começou fazendo consultoria para donos de lan houses. Buscava novas tecnologias e engajamento com outros empresários, e encontrou soluções para o mercado, com resultados que o destacaram rapidamente na região.

“O mais engraçado é quem em todos os cursos que fazia ou empresas que trabalhava, apontavam a minha visão para oportunidades como meu maior diferencial”, revela aos risos.

Não tardou para que fosse convidado a dar palestras pelo SEBRAE. Viajou diversas cidades do Brasil e desenvolveu os sentidos, que poderiam suprir aquele que estava perdendo. Garante que a capacidade de análise substitui a habilidade da observação e comprovou que disposição e conhecimento fazem diferença.

“Em meu trabalho, busco grandes empresários para ações que incentivem a empregabilidade de portadores de deficiências especiais. E faço muitos enxergarem nessa ação mais que um ato de solidariedade.”

Hoje, aos 33 anos, Rafael está cego do olho direito e possui 20% da visão do olho esquerdo. Sempre de bom humor, sua condição é algo que motiva quem o conhece. Em seus cursos e palestras valoriza o que há de melhor em cada um.

“Sou feliz com meu trabalho pois ele exige que use todos os recursos que tenho. Mesmo sem a visão, meus outros sentidos me levaram para experiências lindas e gratificantes.”

Dicas do Rafael Albuquerque
– Não se esconda atrás de suas limitações. Tente agregar valor aquilo que você faz bem.
– Deficiência não impede uma pessoa de exercer funções. Acredite sempre no potencial que existe dentro das mentes e corações.
– Esteja sempre em boa vibração com seu trabalho. Desta maneira, as pessoas ao seu lado sentiram suas vibrações e irão se sentir motivados.