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As dificuldades da carreira de sepultador

Antigo coveiro, profissional luta por reconhecimento

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

Uma coisa que as mais distintas civilizações têm em comum são os ritos funerários. Há aproximados dois milênios o ato de despedir-se de alguém que faleceu envolve, invariavelmente, a deposição do corpo em algum lugar – o que faz do ofício do sepultador um dos mais antigos da humanidade.

Porém, ainda hoje esse profissional luta por reconhecimento tanto diante da sociedade – a começar pela mudança da alcunha de coveiro. “Hoje chamamos de sepultador ou agente de apoio, pois o termo coveiro cria um preconceito quanto a profissão, que é tão digna quanto as demais”, diz Jair Batista, administrador do cemitério da Vila Mariana, na cidade de São Paulo.

É com ele que trabalha Genilson Souza Oliveira, ex-sepultador de 35 anos que atualmente encontra-se no escritório do cemitério – um ambiente que ele conhece muito bem. Filho de um sepultador, ele cresceu nesse ambiente e mora ao lado de outro cemitério da capital paulista, o São Luiz, na periferia.

Sepultador Genilson Souza Oliveira“Por passar a infância ajudando meu pai acabei tomando gosto pela profissão”, explica ele. “Quando abriu concurso não pensei duas vezes. Sou efetivo há três anos, mas desde os sete estou dentro do cemitério ajudando os jardineiros, por exemplo”.

O dia a dia de um sepultador envolve a exumação dos corpos e em alguns casos a manutenção do cemitério, como limpeza e jardinagem – quando o serviço não for terceirizado. O maior desafio, de acordo com Genilson, é mesmo o trato com os familiares do falecido.

“Fazer a exumação é tranquilo. O maior problema é com os familiares. Por que muitas vezes eles estão em estado de choque e acabam descarregando seu momento no sepultador. Para tratar com essas pessoas existem até cursos que ensinam o profissional a lidar com o luto”, explica ele.

Outro fato curioso é como a localização influencia o cotidiano do profissional. Para exemplificar isso Genilson compara o serviço realizado no cemitério de seu bairro, o São Luiz, na periferia, com o feito no da Vila Mariana, área nobre da metrópole. Enquanto no primeiro o número de enterros chega a 18 em um dia, no segundo o máximo não costuma ultrapassar seis.

“Aqui na Vila Mariana raramente enterramos alguém com menos de 70 anos – geralmente mulheres. Lá é mais raro ter uma pessoa idosa. A grande maioria no São Luiz é formada por homens entre 18 e 35 anos vítimas de acidentes ou homicídios”, revela ele.

Para Genilson o profissional precisa entes de tudo gostar do que faz, pois trata-se de um trabalho com pouco reconhecimento público e financeiro. “O sepultador é um dos que menos ganham – o salário base é de 750 reais e o adicional de insalubridade é menos de 50 reais – algo que pelo risco de pegar doenças é muito pouco. Por isso digo que precisa gostar do que faz e ser uma pessoa que entende a dor do outro”.