Home > Carreiras > Segurança do Trabalho > O olhar atento do técnico em segurança do trabalho

O olhar atento do técnico em segurança do trabalho

Conhecimento das leis e paciência são exigências para o bom profissional

por Guss de Lucca
foto por Newton Santos

Seja dentro de um escritório, num ambiente formado por pessoas engravatadas, computadores e café, seja no corredor de uma mina de carvão, local composto por pás, lanternas e muita poeira, é responsabilidade do técnico em segurança do trabalho zelar pelo bem estar de todos os trabalhadores, fiscalizando a postura de cada um e o cumprimento das normas definidas pela legislação.

Foi com esse olhar que Francisco das Chagas Martins de Souza, 31, foi buscar uma profissão. Atualmente estudando gestão ambiental, o profissional atua há dois anos na área de segurança do trabalho, indicado por um dos professores do curso. “Não fiz nem estágio. Ao concluir as aulas fui para o mercado de trabalho. Comecei numa empresa mineradora, que presta serviços fazendo estudo do solo, de rochas”, comenta ele, atualmente empregado na área de metalurgia.

Questionado sobre o que faz exatamente um técnico em segurança do trabalho, Souza disse que é o responsável por supervisionar as atividades exercidas no ambiente de trabalho com objetivo de assegurar as condições ideais aos funcionários. “Tentamos na medida do possível minimizar e até mesmo eliminar os riscos seguindo sempre a legislação”, explica.

Risco iminente
Entre os afazeres diários estão orientar os trabalhadores quanto aos riscos existentes na atividade em si, entregar a eles os equipamentos de proteção individual (como luvas, calçados de segurança, protetores auriculares), supervisionar os extintores e demarcar áreas onde somente pessoas autorizadas podem finalizar – isolando-as quando há risco iminente.

“No caso da indústria metalúrgica orientamos os funcionários durante a integração, falando sobre as normas da empresa e salientamos todos os riscos envolvidos, como o risco físico, químico, biológico, mecânico e ergonômico”, conta Souza, salientando que o último está relacionado à postura durante a execução do serviço. “Precisamos adequar a atividade ao corpo do funcionário e não o contrário.”

Além do conhecimento da legislação, o técnico acredita que a paciência é importantíssima para a formação de um bom profissional. “É preciso fazer com que os colaboradores se conscientizem que um acidente de trabalho só traz prejuízo – para empresa e principalmente para ele. Tem gente, por exemplo, que não gosta de usar protetor auricular. Mas se você trabalha oito horas num ambiente acima de 85 decibéis a probabilidade de perder a audição é grande”, alerta.

Os interessados em ingressar no segmento encontram um mercado receptivo, mas que nem sempre paga aos iniciantes o piso definido – no estado de São Paulo está na casa dos R$ 2,5 mil. “Quando comecei recebi salários menores que a metade disso. Mas o caminho é primeiro fazer o curso técnico em segurança do trabalho e tentar se aprofundar o máximo possível das normas. O mercado está receptivo e a cultura de segurança está crescendo no Brasil.”