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Do campo para o Secretariado

Por Udo Simons
Foto de Rogério Montenegro

“Estou muito feliz trabalhando”, diz Sandra Artuzo, 40 anos, ao falar de seu emprego e local de trabalho. Sandra é secretária num espaço terapêutico que une diversas linhas de tratamento de saúde, aulas de expressão corporal e atendimento homeopático, localizada na zona oeste da capital paulista. “Estou num lugar muito agradável, onde tenho liberdade para sugerir inovações. Me sinto como se fizesse parte de uma família”, completa.

Sandra trabalha como secretária há dois anos. A decisão de começar nessa carreira aconteceu pela busca de estabilidade em sua vida. Formada como engenheira agrônoma, ela não conseguiu superar os entraves do setor, basicamente, o preconceito por ser mulher e a instabilidade financeira que vivia. “Eu amo o campo. Se me largar em um sítio, perco a noção de tempo”, revela.

Por cinco anos, Sandra foi coordenadora em uma organização não governamental de certificação de produtos orgânicos. Para ela, a ONG foi como um “filho”. “Me dedicava inteiramente ao trabalho. Fazia de tudo para que ela desse certo”, lembra. E no período em que esteve por lá, o trabalho aconteceu. Apesar das dificuldades vividas, como por exemplo, a questão de fluxo de caixa. Em 2009, colocou dinheiro de seu bolso para o pagamento de algumas contas da organização. Mas depois de tanto esforço, ela se desestimulou.

“Sempre fui bem tratada, mas só trabalhava com homens. Agricultura é um ambiente extremamente masculino. É muito difícil para uma mulher. Acabei cansando”. Além disso, havia a questão da inspeção para se emitir a certificação dos produtos como orgânicos. Parte desse procedimento era visto por ela como “chato”.

Somado a tudo isso, havia, sobretudo, a instabilidade dos pagamentos salariais. “Se entrava dinheiro, tinha salário. Se não entrava, não recebia nada pelo meu trabalho do mês”. Cansada dessa realidade, decidiu dar uma guinada na vida. Viu no Secretariado uma maneira segura e rápida de se estabilizar profissionalmente.

Foi muito natural para ela, tornar-se secretária. Em sua visão já trazia consigo qualidades necessárias ao cargo. “Gosto de atender o público. Sou proativa e me considero, em certa medida, organizada”. Lembra, também, do curso de datilografia feito quando adolescente; e de suas incursões nas áreas administrativas que tivera ao longo de sua vida profissional nos locais em que trabalhou.

Hoje, comemora a sua casa nova, na zona norte de São Paulo, onde mora com sua gata “bonequinha”. “Troquei todo estresse que tinha por uma condição de vida adequada para mim”, enfatiza. Durante a semana, ela começa o trabalho às 11h e vai até às 20h30. Tem rotina e isso a satisfaz. “Não almejo outro cargo. Auxilio aos outros e ainda sou remunerada por isso. Para mim está bom”.

Mas esse cotidiano de calmaria às vezes é quebrado. Quando perguntada se nesse período como secretária enfrentara uma situação difícil, desconfortável, ela lembra o dia em que uma paciente da clínica a tratou mal; e ela não conseguia entender o porquê ela agia daquela maneira. “Me senti péssima. Ela tirou meu chão pela forma como me tratou. Mas em todos esses anos, uma situação como essa aconteceu uma única vez. E essa paciente nunca mais voltou à clínica”.

Dicas de carreira da Sandra

  • Ter bom humor;
  • Ser proativo;
  • Ter disponibilidade para auxiliar os outros;
  • Ser criativo;
  • Possuir organização.