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Roupeiros – os guardiões dos uniformes de futebol

Profissionais garantem roupas dos jogadores numa logística detalhada

por Guss de Lucca
fotos por Rogerio Montenegro

Uma das peças mais cobiçadas pela torcida, as camisas usadas pelos jogadores durante as partidas de futebol são parte importante do espetáculo. O que pouca gente imagina é que por trás daquele uniforme, que termina o jogo sujo e suado, há uma logística detalhada que garante sua troca, lavagem e transporte – isso, é claro, multiplicado pelo número de atletas de cada equipe. E para gerenciar isso existem os roupeiros.

Há mais de 15 anos na rouparia do Corinthians, pelas mãos de Carlos Bueno já passaram uniformes de craques como Marcelinho Carioca, Rincón, Tevez e Ronaldo – cujas camisas até hoje são valorizadas pelos torcedores. “Os amigos pedem muito, afinal, onde não tem corintiano nesse Brasil? Mas não tem condições da gente ficar dando. Nem pra parente a gente consegue”, explica ele, deixando claro que sempre que ganha alguma peça a entrega de presente a algum conhecido.

Propriedade do clube
O controle é tão rigoroso que nem mesmo os jogadores podem levar as próprias camisas para casa. “É propriedade do clube. As exceções são as duas camisas que cada atleta recebe quando vai pro jogo. Apenas essas duas ele pode dar pra torcida ou trocar com alguém”.

Carlos Bueno roupeiro do Corinthians

Junto com outros três funcionários, Bueno administra os uniformes e materiais de treino do clube paulistano. De acordo com ele, para cada um dos 30 jogadores em atividade no Corinthians há quatro uniformes. “Tem um sendo usado, um na lavanderia e dois na reserva. Assim que termina o treino nós fazemos a contagem e encaminhamos pro Parque São Jorge, onde são lavados.”

O trabalho complica quando o time precisa viajar. Nesse momento entram em ação os oito contêiners da rouparia corintiana. “Como normalmente o clube mandante joga com o uniforme um, temos uma ideia de qual camisa levar. Complica quando tem treinamento antes. Aí, além do material de jogo, precisamos levar o de treino – o que duplica ou triplica tudo”, conta Carlos.

Madrugada a espera dos uniformes
Luis Carlos Dias, também conhecido como Bala, é um dos quatro profissionais que responde atualmente pela rouparia da Portuguesa. Com 16 anos de experiência no ramo e passagens por clubes como Paulista de Jundiaí e Guarani, ele reconhece na organização a qualidade necessária para um bom roupeiro.

“Tem que cuidar bem do material, saber deixar tudo limpo e em ordem. Aqui a gente deixa sempre tudo anotado e em contato com a diretoria”, explica Dias, que entre outras responsabilidades administra as idas e vindas das 120 camisas utilizadas nos dois períodos de treino do clube – três por atleta de um elenco de 30 jogadores.

Luis Carlos Dias roupeiro da Portuguesa

Assim como seus pares, ele sempre viajou com as equipes visando o bem estar dos uniformes utilizados nas partidas – algo que nem sempre foi tranquilo. “Certa vez, na época em que estava no Guarani, o time foi jogar em Natal, no Rio Grande do Norte, e um contêiner extraviou e foi parar em Brasília. Ficamos a noite inteira em contato com a companhia aérea pra esperar ele voltar, algo que só aconteceu às dez da manhã do dia seguinte, que era o dia do jogo”, conta.

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