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Cálculos, cabos e toneladas. O cotidiano de um rigger

Interessados em entrar na profissão precisam gostar de cálculos

por Guss de Lucca
fotos: divulgação/arquivo pessoal

Durante os testes de desenvolvimento do Mapa VAGAS de Carreiras, serviço recém-lançado pela VAGAS.com, a equipe responsável encontrou no banco de dados do site ramos pouco conhecidos do grande público. Um dos ofícios que provocou curiosidade no time de desenvolvimento foi o rigger, cargo que envolve o planejamento e montagem de diversos tipos de estruturas e içamentos utilizando gruas e guindastes.

“No Brasil existem três tipos comuns de riggers: a pessoa que faz montagem de estruturas de shows e eventos, aquele que faz os planos de cargas para gruas e guindastes, e o sinaleiro, que é o profissional que dá sinais para o operador de guindaste”, explica Diego Alves. Aos 28, o rigger tem no currículo mais de 200 projetos efetuados – entre eles o Sky Bar no último festival de música Lollapalooza, em São Paulo.

Sky Bar, no Lollapalooza
“Fui supervisor da área de guindastes do evento. Dentro do Sky Bar, que ficava içado a 30 metros do chão, cabiam 16 pessoas mais as bebidas, uma estrutura de aproximadamente quatro toneladas”, revela Alves, deixando claro que se trata de um serviço onde física e matemática são essenciais.

Apesar de trabalhar ao lado de engenheiros e técnicos em segurança, é responsabilidade do rigger averiguar se o guindaste está devidamente acertado para o serviço – caso contrário podem ocorrer acidentes como o da Arena Corinthians, em São Paulo, que causou duas mortes em novembro de 2013.

planejamento rigger skye bar

“O rigger faz o projeto com base nas informações do cliente, como o tipo de solo e o peso do que será içado, mas nem sempre é ele quem supervisiona o trabalho em campo”, revela Alves. “Certa vez fiz um plano de rigger para o içamento de uma treliça de 27 toneladas que seria feita na Bahia. Me passaram os dados por e-mail, eu fiz os cálculos e enviei – o que é muito comum. Porém, o engenheiro não conseguiu interpretar os dados e me pagaram pra ir até lá. Quando cheguei vi que o cenário era totalmente diferente do informado. Alguém poderia ter morrido se fizessem o serviço com os projeto que enviei, pois me passaram os dados errados”, conta.

Para o profissional, o mercado está crescendo e não existe muita gente com experiência. Os interessados em entrar na profissão precisam gostar de cálculos e procurar um curso com ênfase em planos de rigger. “Só com muito conhecimento você terá argumentos para conversar com gente que atua há 30 anos como rigger. Acho importante começar de baixo, como eu, que fui estagiário e pude acompanhar o trabalho dos engenheiros até começar a trabalhar sozinho. Rigger é uma responsabilidade bem grande e nem todos conseguem lidar com isso.” Segundo Alves, o valor médio pago por um plano de rigger varia de R$ 500 a R$ 1 mil. “Às vezes fazemos três planos num mesmo dia”, diz ele.