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Trader de energia é para quem gosta de adrenalina

por Fernanda Bottoni
Fotos de Rogério Montenegro

O mercado de energia é predominantemente masculino e formado por engenheiros, administradores e economistas. Não é por isso, no entanto, que suas portas estão fechadas para quem não preenche esses requisitos. Prova incontestável é a carreira que a apaixonada e acelerada Fabiana Polido, de 32 anos, formada em Relações Públicas, desenvolveu como trader de energia. Trader significa negociador, em inglês, e o profissional da área atua comprando e vendendo de ativos de uma empresa.

É bem verdade que ela caiu nessa área meio sem querer, mas é totalmente visível que a coincidência foi muito feliz. Fabiana estudou na Unesp de Bauru e, logo que se formou, começou a trabalhar na área comercial da IBM, em 2005. “Na época, comecei a me candidatar a todos os programas de trainee que apareciam até que fui aprovada pela Elektro (distribuidora de energia que atende 223 cidades do Estado de São Paulo e cinco do Mato Grosso do Sul)”, conta.

Lá ela entrou, em 2006, na área de assuntos regulatórios. Logo depois, foi novamente para o comercial. “Gostei de cara da área de energia porque o mercado, apesar de ser bem regulado, é muito dinâmico.”

De olho na evolução da carreira, ela logo correu atrás de complementar sua formação e foi fazer MBA em Finanças na FGV e na ESAMC. Depois, como ela diz, teve um “siricutico” e decidiu fazer Mestrado. Em energia, claro. “Fiquei um ano e meio na Finlândia estudando Energia e Meio Ambiente com ênfase em Energia Renovável”, conta.

Quando voltou, em 2009, no entanto, nada saiu como tinha planejado. Arrumar emprego não foi fácil e ela, que precisava se manter, ficou como freelancer numa empresa de eventos – cuidando daqueles voltados à área energia, como não deixaria de ser. “Fui construindo um networking em São Paulo, tive de dar uns passos para trás, até que meu ex-diretor da Elektro, que é vice-presidente da EDP (empresa global de energia), comentou que tinha uma oportunidade para trabalhar na mesa de operações como analista júnior”, conta.

A decisão aparentemente foi simples. “Eu pensei que a parte comercial eu tinha, força de vontade e garra também não faltavam e, além do mais, estava ganhando mal e fazendo uma coisa que não gostava”, lembra. “Aceitei.”

Quando o trabalho de fato começou ela teve muitos momentos de insegurança. “Claro que eu tinha frio na barriga, ia fechar operações milionárias, mas ninguém cresce sem tomar tombo e, quando tomo uma posição na vida, vou até o fim com ela”, conta, cheia de orgulho.

Aos poucos, mas sempre em alta velocidade, Fabiana foi aprendendo a ser uma trader na prática – e também na teoria, já que aos finais de semana ela não cansava de estudar Legislação e buscar cursos desde Excel avançado até Mercado Financeiro, entre outras coisas.

Três anos depois, em fevereiro de 2013, ela recebeu e aceitou a proposta para trabalhar na Cargill, onde está até hoje. “O que eu faço é acompanhar as oportunidades do mercado para tomar posições de trading”, resume.

Seus dias começam com a leitura do jornal Valor Econômico e seguem com a previsão de chuvas, as notícias sobre carga e consumo de energia no mês, a inflação e os principais índices de economia. “Às vezes uma notícia de previsão de chuva nas principais bacias do Brasil, por exemplo, pode influenciar toda a sua tomada de posição naquele dia”, diz.

Fabiana explica que o mercado livre de energia funciona como a antiga Bovespa. “As operações são fechadas pelo telefone”, diz. “Temos duas plataformas eletrônicas, mas 90% das negociações ainda são feitas via mercado de balcão.”

Seu trabalho, ela define, é de relacionamento, de construção de parcerias ao longo do tempo. “É bastante masculino, sim, mas as mulheres estão ganhando espaço, embora ainda sejamos poucas nessa posição de tomada de decisão no setor elétrico”, afirma.

Para seguir esse caminho, Fabiana diz que é preciso buscar conhecimento o tempo todo e ter sangue frio. “A regulamentação muda muito e você tem de acompanhar tudo”, explica. “Além disso, o mercado de energia provoca altas emoções e um trader ou qualquer comercializador de energia tem de saber lidar com isso”, afirma. “Algumas questões você controla, outras não.”

Se vale a pena? Ela fala por si: “Neste mercado, você tem de matar leões, mas sou apaixonada pelo que faço. Amo essa adrenalina toda”.

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