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Relações internacionais atrai com salários altos

Guinada da profissão teve início com a internacionalização da economia

por Silvia Pimentel
fotos por Rogerio Montenegro

O mundo descobriu o Brasil há 500 anos. E o Brasil descobriu o mundo há 10 anos. A frase é atribuída ao embaixador Sergio Amaral e sintetiza a importância dos especialistas em Relações Internacionais. A guinada dessa profissão teve início no final da década de 1990, com a internacionalização da economia, quando Brasil decidiu mostrar a sua cara ao mundo, numa competição que levou o mercado a necessitar não apenas de profissionais do comércio exterior, mas também de pessoas com conhecimentos amplos nos campos da economia, do marketing, da política e administração.

“Exportar não se resume à logística e aduana. O especialista em RI deve descobrir mercados, entendê-los, e saber negociar”, resume o coordenador do curso de Relações Internacionais da Faculdade Rio Branco, Gunther Rudzit. O campo de atuação? É tão amplo quanto os conhecimentos necessários para obter bom êxito profissional. São cinco as áreas tradicionais em que se pode obter uma carreira promissora.

A diplomacia governamental é uma delas e abriu caminho para esses profissionais, tendo como principal atrativo o salário inicial. Atualmente, o candidato que se sair bem num concurso do Itamaraty inicia a carreira com um salário em torno de R$ 14 mil. Para concorrer a uma vaga, é preciso ter curso superior em qualquer área. Hoje, a maioria dos candidatos aprovados nesse concurso tem curso superior de RI ou Direito.

Internacionalizar-se é preciso
A área econômica é um caminho que também vem ganhando força nos últimos anos, com a maior percepção das empresas de que é preciso internacionalizar-se num mundo cada vez globalizado e competitivo. As organizações não governamentais (ONGs) também abrem oportunidades de trabalho para esses profissionais. De acordo com Rudzit, há muito tempo as instituições ligadas ao terceiro setor deixaram de depender apenas dos financiamentos das empresas locais. O foco se voltou também para outros países. “Elas perceberam que precisam de um profissional que saiba fazer cooperação internacional e a negociar”, completa.

 

As assessorias internacionais, tanto públicas como privadas, são outras portas de entrada para os especialistas em RI. Uma das explicações é o crescimento do número de órgãos públicos que trocam a dependência do Itamaraty pela criação de setores específicos para as suas demandas. É o caso da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o primeiro órgão governamental a abrir concurso, em 2003, para profissionais de RI, também chamados de internacionalistas.

“O crescimento desse fenômeno tem sido freqüente nos três níveis de governo: União, Estados e Municípios. Não sem razão, é uma área com alta empregabilidade”, analisa Ridzit. Os profissionais de RI também podem se enveredar para as assessorias privadas, que têm como função atender empresas que queiram se internacionalizar, mas não possuem estrutura para manter um setor ou área específica. Os órgãos multilaterais,  como a ONU (Organizações das Nações Unidas), por exemplo, também contratam profissionais de RI para tocarem seus projetos.

Salário pago em dólar
Das cinco áreas tradicionais que mais procuram internacionalistas, o Itamaraty sem sombra de dúvida é a mais atrativa por conta do salário. Nos órgãos internacionais, o salário é pago em dólar.

Depois de quatro anos de estudo, o caminho da sala de aula até a contratação será mais curto para os inquietos, questionadores dos porquês dos problemas globais, dos interessados em diversos assuntos e temas e conhecedores de mais de uma língua, sendo a inglesa a principal. “Quem pretende ingressar nessa área precisa internacionalizar-se, ter contato com outras culturas, desenvolver senso crítico, estar atento aos fenômenos globais e pensar mais no macro do que no micro”, resume a coordenadora do curso de RI da FAAP, Fernanda Magnotta, uma das primeiras em São Paulo, junto com a PUC, a oferecer cursos na área.

De acordo com ela, a  profissão passou pelo boom inicial, em 2000, mas mantém perspectivas de expansão porque está alinhada com as necessidades do mercado. Os alunos matriculados no curso, que enfatiza a economia, dentro do triple tradicional política, economia e direito,  estudam os dois primeiros anos em período semi-integral para explorar ao máximo o ambiente da faculdade até chegar à fase de estágio.

A tônica do curso é o desenvolvimento da capacidade de análise e de negociação, em especial na diplomacia corporativa. Os alunos participam de eventos de simulação em organizações internacionais como ONU, FMI e OMC, o que cria a oportunidade para a compreensão do funcionamento dos organismos internacionais.

Primeiro emprego
Recém-formado pela  Rio Branco, que oferece cursos de graduação de pós em Relações Internacionais, Wellington Souza Silva tem apenas 22 anos e trabalha na Agência Judaica, que tem como objetivo promover a cultura de Israel no Brasil. Atualmente, ele está envolvido em um projeto que visa mostrar, por meio de simulações, o funcionamento do Parlamento israelita em escolas judaicas no Brasil. “Mas tenho planos de participar de processos de seleção nas empresas”, avisa.

 

Nas suas buscas, ele afirma ter percebido que os melhores salários para quem acabou de formar têm sido oferecidos nos programas de trainee das grandes corporações. Em média, os salários estão por volta de R$ 3 mil a R$ 4 mil.

Ainda na faculdade, ele foi um dos cinco alunos selecionados num grupo de 80 inscritos para participar da reunião do G 20, em 2012, realizada em Washington. “Sempre me interessei muito pela política internacional e participar dessa reunião foi um experiência incrível”, lembra. No início, a carreira diplomática governamental o atraia fortemente, sobretudo por conta do salário e das oportunidades de conhecer outros países e culturas. Mas houve uma mudança de rumo no meio caminho e a área internacional das empresas está entre seus planos. “Quero aprimorar meus conhecimentos com cursos de pós- graduação e doutorado para buscar progressão na carreira privada”, afirma.