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Recepcionista: gentileza é imprescindível

Por Udo Simons

A primeira semana de trabalho como recepcionista não foi fácil para Viviane Sampaio Aragon, de 23 anos. “Me assustei com o movimento. Achei que nunca fosse conseguir decorar o nome dos 300 alunos que passavam pela portaria diariamente.” O susto inicial, contudo, levou sete dias para sumir. “Na segunda semana já estava habituada.” Há um ano, Viviane é recepcionista na academia de ginástica Club 109, no centro de São Paulo. Começou no trabalho por acaso. “Passei pela frente da academia e vi uma placa de procura-se. Resolvi me candidatar à vaga”, lembra. Ela acabara de deixar o emprego como vendedora num shopping. A loja em que trabalhava fechou e não tinha nenhum outro emprego em perspectiva. “Aproveitei a rescisão para descansar um pouco também”, recorda.

Porém, descanso é uma palavra pouco usada no dicionário de Viviane. Principalmente quando o assunto é trabalho. Apesar de jovem, ela já tem uma longa experiência profissional. Trabalha desde os 15 anos. “Além de vendedora, passei por atendimento em telemarketing, fui faturista, auxiliar de escritório. Foram várias as atividades, formais ou não, até me tornar recepcionista”, relata.

Agora, ela viu na função a chance de conseguir alçar voos mais altos. “Com esse emprego, conseguirei fazer minha faculdade.” O sonho do curso superior ainda está longe. Ela sequer definiu o curso ou a área. Suas opções vão de Tecnologia da Informação, Jornalismo a Educação Física. “Hoje, contudo, penso em fazer Marketing”, pondera. Mas o fato de ter horários fixos (o expediente dela começa à tarde e vai até as 23h00, diariamente) facilita sua rotina. Ela tem as manhãs livres para cuidar de sua vida pessoal. Aliás, também “agitada”. Ela é casada com Édipo, de 25 anos. Os dois moram na parte superior de um sobrado na região central da capital paulista. Sua mãe mora no térreo. “Agora, só falta um filho”, sorri.

Seu salário como recepcionista supre sua necessidade em casa e ainda sobraria para a faculdade. “É claro, não é fácil. Mas com organização é possível.” Por isso, ela se planeja. Avalia seu caminho profissional a partir de seu contexto atual. “Gosto de lidar com pessoas. Mas reconheço a importância de ter qualificação, por exemplo, para trabalhar com atividades administrativas.” Seu cotidiano, o que observa na gestão da academia, faz com que ela pondere suas decisões.

Por falar em “lidar com pessoas”, Viviane lembra que para ser uma boa recepcionista, paciência é fundamental. Ter atenção à demanda do outro. Saber ouvir é muito importante. “Às vezes, as pessoas só precisam desabafar.” Outro ponto fundamental em sua visão é a separação da vida pessoal da profissional. Principalmente, pelo fato de ela ser recepcionista em um local onde as pessoas sempre a veem. “Como estou junto à entrada da academia, tenho de lidar com a falta de pagamento ou possíveis atrasos dos alunos. O fato de estabelecer uma relação cordial com eles não significa que não tenho de cobrá-los, se necessário. É parte de minha atividade.” Mesmo assim, ela não esquece a gentileza.

“Ser gentil é imprescindível. Ninguém gosta de gente rabugenta em atendimento. Então, um sorriso é fundamental.”

Dicas de carreira de Viviane

  • Paciência
  • Educação
  • Atenção
  • Ouvir o outro
  • Diferenciar profissional do pessoal