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Juliana, entre a recepção e a faculdade de Turismo

por Lucia Helena Corrêa (in memoriam)

Aluna do primeiro período do curso de Turismo, na Universidade São Judas Tadeu, unidade de São Bernardo do Campo, a paulistana da Móoca, Juliana Veiga, 17 anos, quer ser mesmo é consultora de turismo, para conhecer o mundo inteiro. “De avião, carro, ônibus, trem, navio ou cipó, pouco importa. O que me interessa é viajar, conhecer lugares e pessoas, outros idiomas, hábitos e culturas”, diz a jovem, bem-humorada.

Mas o sonho de Juliana custa caro – a mensalidade é de quase mil reais. “Assim como quase todo estudante de classe média, preciso produzir e ganhar algum dinheiro, para poder pagar a conta”, diz ela. Ainda, no primeiro emprego, Juliana trabalha numa do bairro de Vila Prudente, zona Leste da cidade, especializada em Ginecologista e Obstetrícia, na recepção de um consultório pediátrico.

“Mesmo sem experiência, tive a sorte de ser indicada por uma amiga que também trabalha aqui, e de agradar, pelo esforço que faço para me adaptar ao serviço – receber, fazer as fichas e encaminhar as pessoas”, diz a moça, que tem plena consciência da importância do que faz.

“Muitas vezes, as pessoas chegam aqui estressadas, carregando o filho ou a filha doente. Assim, nós precisamos ir muito além do frio trabalho da recepcionista, que é, para começar, o cartão de visita de qualquer empresa ou instituição. Com os clientes, pessoas em sofrimento, é preciso ser atenciosa, paciente, solidária, compassiva, generosa”, enumera Juliana.

Com apenas seis meses de trabalho, ela se diz satisfeita. “Na minha ocupação, tenho as vantagens especiais de lidar com crianças, relacionar-me com pessoas em geral e, poder ajudá-las, além de dispor de tempo para estudar à noite, uma vez que não saio daqui tão cansada como sairia se fizesse alguma coisa que trouxesse desgaste físico”, explica a moça, que trabalha de segunda a sexta-feira, de oito às 17 horas. Diariamente, atende, em média, 50 pessoas, entre crianças e adultos.

Na rotina de um trabalho que nada tem a ver com seus melhores sonhos, o que a anima e motiva é a perspectiva de fazer carreira numa área em que poderá viver aquilo de que mais gosta na vida: viajar! “Imagine o que é trabalhar no que gosta e ainda ganhar para isso”, convida a universitária.

Juliana leva a sério a escolha, preparando-se para enfrentar um mercado de trabalho que, segundo ela, está cada dia mais exigente e competitivo. “Antigamente, o consultor de viagem se limitava ao trabalho mecânico de reservar assentos em aviões e hospedagem nos hotéis. Hoje, com os viajantes podendo fazer isso, eles mesmos, pela Internet, nós temos de apresentar serviços que deem ao cliente algo que a Internet não oferece – o atendimento personalizado, antes, durante e após a viagem, capaz de contentá-lo e retê-lo”, analisa Juliana.