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A constante evolução de Vania

Por Fabíola Lago
Foto de Rogério Montenegro

Vania São José tem 32 anos e é atendimento do Google, entre outros clientes, na agência global SapientNitro. Ouvi-la falar sobre sua trajetória profissional é mais ou menos como a narração de uma partida de futebol, daquelas cheias de emoção, com muitos dribles e bolas na trave que prendem a respiração de quem assiste. Foram 90 minutos de entrevista com um intervalo para umas garfadas, afinal, era um almoço. Tédio? Nunca.

Vania começou a carreira na mundo digital na agência do irmão, em Salvador, a Madison, aos 17 anos, fazendo programação em HTML. Eram tempos de Matrix e o papo que rolava era o bug do milênio. O primeiro conselho que recebeu do seu chefe e amigo foi que não poderia ser “medíocre nunca”, e ensinou que “medíocre” significa estar na média entre dois termos de comparação: entre o bom e o mau, entre o pequeno e o grande etc. É um termo derivado de mediano, médio. Era preciso ser excelente.

O irmão foi trabalhar na Europa e Vania tinha que prestar vestibular. Por conta da experiência “fraterna”, resolveu cursar Publicidade na Universidade Católica de Salvador. Entre um trabalho e outro na agência de um primo, ela continuou programando em HTML. Foi quando um grande amigo voltou de Barcelona, ficou sócio de uma agência e a convidou para estagiar. Ela foi.

Em busca de melhor retorno financeiro, mudou de ares e trabalhou em uma agência de turismo com foco no público universitário. Em 2005, o desejo já era outro: morar em uma cidade diferente, com melhores oportunidades na área de Publicidade. Barcelona ou São Paulo? Ficou com a segunda opção.

Já em Sampa, resolveu investir em TV e cinema, e foi fazer um curso no Senac e depois outro na Academia Internacional de Cinema. Rendeu um trampo em uma pequena produtora. Foi Relações Públicas em um day hospital oftalmológico onde até a roupa do médico em dias de evento era ela quem comprava. Sentiu que era boa de relacionamento.

Também começou a perceber que atendimento era sua paixão. Sentia saudade do clima de agência. Assim, Vania foi atrás de suas origens digitais. Por conta própria, passou a estudar Arquitetura da Informação. Uma amiga a recomendou para uma vaga de mídia e ela foi com fé. Mesmo sem experiência, encontrou uma oportunidade na One Digital com um chefe que apostou na formação de Vania.

Foi convidada para um freela na AlmapBBDO, mas mal sabia da importância da agência. “Era tão ingênua que contai ao então chefe que faria o job à noite, fora da agência. Não sabia que esse tipo de coisa nem se conta”, ri a garota. A AlmapBBDO gostou do trabalho. e o que era freela virou um convite: integrar-se à equipe efetivamente. Ainda na dúvida, foi um amigo quem disse energicamente: “Você vai para Almap nem que seja para ser estagiária do financeiro”. Ele sabia que era um empurrão e tanto no currículo. E era verdade.

“Foi o lugar onde mais trabalhei na vida. Conheci estrelas da publicidade, fiquei em contato com grandes clientes, estava no furacão do mercado, mas também perdi muito da minha vida pessoal. Até o namoro acabou por falta de presença.”

Recebeu um convite para voltar para a One Digital, agora na área de planejamento com business intelligence. O foco era o segmento imobiliário, mas o grupo foi vendido e o núcleo desfeito.

Em 2009 estava na Gringo como gerente de conta e, no mesmo ano, foi para a agência Salve, que “era tudo de bom”. Calminha, gente tranquila, horários respeitados, chefes ótimos, mas apareceu uma oportunidade de ser gerente de conta da Google na Rede106 e ela foi, tomada pelo desafio de atender a conta da companhia mais invejada do mundo.

A Rede106 foi vendida e, aonde Vania foi, o Google foi atrás. Ela ficou algum tempo na iThink, que foi vendida para SapientNitro, agência global americana que, por sua vez, herdou a Vania. E consequentemente, a conta da Google.

Agora Vania é diretora de contas digital em outra grande agência, a Ogilvy. E não pensa em parar de crescer tão cedo.