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Os desafios de um psicólogo pai solteiro

Viúvo relata difícil missão de conciliar a carreira com a criação das duas filhas

por Guss de Lucca

Muito se fala sobre a luta diária de mulheres solteiras que precisam conciliar a carreira com o papel de mãe – uma realidade comum não apenas no Brasil, mas em muitos outros países. Agora o que acontece quando um pai precisa suprir a ausência da mãe a cuidar sozinho dos filhos? Quem responde é o professor universitário de psicologia – e pai solteiro – Marcos Vieira Garcia.

Atualmente morando em Sorocaba (SP), é ele quem se responsabiliza até hoje pela criação das duas filhas do primeiro casamento, cuja mãe faleceu por causa de um câncer de pulmão quando ele tinha 34 anos – e as meninas apenas com um e três anos de idade.

“Logo que minha segunda filha nasceu descobrimos que minha esposa tinha um câncer de pulmão intratável. Aquele já foi um período muito difícil, pois você precisa conciliar o trabalho com o apoio em casa”, relembra Garcia.

Na época em que a mulher estava internada, Garcia dava aula três noites em Sorocaba, uma em Alphaville (na Grande São Paulo) e uma pela manhã em Campinas – tudo isso morando na capital. “Eu vivia na estrada e dormia no hospital direto”, conta o professor.

Baque financeiro
“Teve também o baque financeiro, pois o câncer consome recursos mesmo se tratado por convênios – os remédios são muito caros. Após o falecimento eu me dividia entre as meninas, alguns pacientes e as aulas noturnas”, diz o viúvo, acreditando que o excesso de tarefas foi importante para ocupar seu tempo após a perda.

Marcos Vieira Garcia pai solteiro publicitário

Hoje, aos 46 anos, ele admite não saber como conseguiu lidar com uma situação tão delicada. “Não fazia nada além de ser pai, trabalhar e dormir. Se eu pensar retroativamente não sei como dei conta. Se isso acontecesse comigo hoje eu não daria. Mas acho que nessas horas surgem energias de lugares que você não sabe da onde.”

“Vida de pai solteiro é um pouco incomum aqui no Brasil, é mais comum no ver mãe solteira. Eu brinco com as pessoas que é exatamente a mesma coisa. Em inglês eles usam o termo single parent, que serve pros dois gêneros, pois é de fato é igual”, afirma ele. “A diferença, a meu ver, é que o homem tem um pouco mais de reconhecimento. As pessoas enxergam o trabalho da mãe solteira como obrigação. Mas eu fiz de tudo, aprendi a fazer maria chiquinha, tudo isso.”

Lidando com perdas
Garcia casou-se novamente por cinco anos e teve outra filha, que após o divórcio ficou com a mãe e o vê nos fins de semana. Vivendo com as filhas do primeiro casamento, atualmente com 14 e 16 anos, ele diz que aprendeu a lidar com as perdas com as meninas.

“Minha mãe faleceu ano passado e esse foi meu primeiro Dia das Mães sem ela. Brinquei com a minha filha dizendo que ia ser um dia morto em casa, pois aqui ninguém tem mãe, e ela respondeu falando que eu logo me acostumaria a não ter mãe”, diz ele, atribuindo a flexibilidade de horários o sucesso na vida familiar.

Como professor ele tem aulas e reuniões fixas, mas pode determinar em quais momentos vai cuidar da orientação dos alunos e de seus pareceres. “Como pai você tem compromissos diários com médicos, dentistas, aulas de guitarra – demandas que você atende só se o emprego permitir conciliar”, diz.

Aos pais que assim como ele precisam cuidar da família sem a parceira, Garcia aconselha buscar apoio de amigos e parentes e sempre manter a tranquilidade. “Não pense em focar no trabalho para ter dinheiro e contratar pessoas que cuidem dos seus filhos. É importante acompanhar a rotina escolar delas, pois esse vínculo entre pais e filhos é vital.”

*O VAGAS Profissões deseja a todos os pais (e mães que também são pais) um feliz dia dos pais!