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Empatia é o desafio do psicólogo

Colocar-se no lugar do outro permite ao terapeuta entender e acolher o paciente

por Guss de Lucca

Se até recentemente a imagem do psicólogo estava ligada a pessoas com transtornos e sérios problemas mentais, hoje ele é visto como um profissional acessível a qualquer um interessado em compreender questões da própria vida como forma de solucionar questões ou simplesmente buscar o autoconhecimento.

“O psicólogo ajuda a construir uma ponte entre o consciente e o inconsciente, lidando com conflitos das áreas desconhecidas intermediadas pelo ego”, contextualiza a psicóloga junguiana e mestre em Ciências da Religião Marília Barbosa.

A paixão pela psicologia surgiu na adolescência, momento em que a curiosidade sobre a psique humana a conduziu a leituras voltadas a parapsicologia e até hipnose. “Na época hipnotizava alguns amigos”, brinca a psicóloga, que optou pela área deixando de lado sua segunda opção, a biologia.

Voltada ao atendimento clínico, Marília enxerga no ofício a oportunidade do paciente falar sobre o que quiser sem filtros. “Nenhum amigo vai te ouvir irrestritamente e nem tudo você conta para um amigo. O terapeuta garante neutralidade e sigilo. Para ele você pode trazer todas as suas questões, conflitos, ideias”, garante.

Redes sociais
“Existe uma diferença entre a coisa pensada e a coisa falada. Quando você fala, você ordena esses conteúdos e ainda recebe apoio e orientação do psicólogo. Hoje em dia a máscara que as pessoas usam diante dos outros é muito polida. Olha para as redes sociais: são só momentos de pleno sucesso. Ter um espaço onde a pessoa possa se mostra frágil e vulnerável é importante.”

Marília vê na empatia o maior desafio – e um enorme diferencial – de um psicólogo. É apenas sabendo se colocar no lugar do outro que o terapeuta consegue entender e acolher devidamente um paciente. Sem a empatia até mesmo um profissional tecnicamente brilhante pode fracassar.

“A pessoa precisa se sentir especial, acolhida, em segurança, com confiança. Mostrar nossa humanidade é parte do trabalho”, explica.

Bônus na profissão
E se o amadurecimento é um bônus na profissão, pois permite que o terapeuta utilize sua vivência para compreender melhor o próximo, Marília aconselha aos novos psicólogos interessados em clinicar dar tempo ao tempo. “O interessante é que há um mercado para todos. O que sinto é que você vai atraindo casos compatíveis com o que você pode nesse momento. Comece dentro de um território em que você já tenha vivência, como os adolescentes”, orienta.

Ela ressalta a importância da supervisão de profissionais experientes e o investimento nos estudos. “Você não sai de uma faculdade de psicologia formado integralmente. Você sai com uma visão generalista. A profissão exige muita dedicação de leituras, de disponibilidade financeira para investir em cursos e supervisões. Essa é uma das profissões que mais exigem investimento na pós-graduação.”

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*O Dia do Psicólogo é comemorado em 27 de agosto.