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Os dilemas do professor universitário

Docente da USP Arlene Clemesha relata desafios da profissão

por Guss de Lucca

Enquanto o papel do professor dos colégios públicos é muito debatido, em partes por tratar da educação básica de crianças e jovens, o ofício do professor das universidades públicas parece mais distante das discussões públicas – talvez por um possível distanciamento dessas instituições perante a sociedade.

Evitar que isso aconteça é, de acordo com Arlene Elizabeth Clemesha, professora doutora do Departamento de Letras Orientais e atual Diretora do Centro de Estudos Árabes da USP, uma das tarefas do professor universitário. Para ela existem três grandes objetivos na atuação dos profissionais nas universidades públicas: docência, pesquisa e extensão.

“Além do trabalho nas áreas de docência e pesquisa, trabalho de forma ativa na extensão universitária, que consiste em ações que aproximem a faculdade da sociedade, como a organização de palestras, de mostras de cinema e eventos culturais – minha participação no Jornal da Cultura também faz parte desse esforço”, explica ela, que atua como comentarista semanalmente no jornalístico da Fundação Padre Anchieta.

Arlene acredita que muitas vezes esse trabalho de extensão fica de lado por causa do volume de trabalho voltado a docência e a pesquisa – algo que influenciou, de certa forma, seu distanciamento das universidades privadas, onde trabalhou por pouco tempo antes de entrar para a USP.

“Nas faculdades privadas o valor pago por hora aula não te possibilita fazer a pesquisa e a qualidade cai muito. Eu dava aula de História da América, Moderna e Antiga – como você consegue montar três cursos desses e ainda pensar em pesquisa e extensão?”, questiona a professora doutora, que passou quatro anos desde o fim do doutorado até conseguir entrar na USP.

“Antes de entrar na USP prestei vários concursos – vai um pouco de insistência. Foram quatro anos até aparecer uma vaga para trabalhar com História Árabe, que era o que eu queria”, diz ela, incentivando os interessados em seguir carreira na docência a, em um primeiro momento, refletirem sobre a possibilidade de atuar em outras cidades. “Tem muita universidade fora dos grandes centros precisando de bons professores“, completa.

Para ela a principal característica de um bom professor é a preocupação com o aluno, seja na orientação de tese, participação de banca, correção de trabalho ou preparação de aula – no final a dedicação ao estudante é a principal atividade do docente, mesmo com a pesquisa e os trabalhos de extensão.

A dica de Arlene aos iniciantes é identificar quais universidades são seus focos e trabalhar nisso. “É importante ter em mente que sem mestrado e doutorado não se entra mais em universidade pública. E enquanto não tem um concurso à vista acho que vale a pena dar aula nas universidades privadas – é um aprendizado e conta no currículo”.

Confira mais informações sobre a carreira de professor universitário no Mapa VAGAS de Carreiras.

*O dia do professor é comemorado em 15 de outubro.