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Psicopedagogia, a tábua de salvação para estudantes

por Silvia Pimentel
fotos por Rogério Montenegro

Da parceria entre a pedagogia e a psicologia nasceu a psicopedagogia, tábua de salvação para crianças e adolescentes que enfrentam problemas de aprendizagem na vida escolar. A preocupação com as dificuldades no ato de aprender surgiu com a chegada da era industrial, em que a produtividade era o foco.

De lá para cá, muito se aprendeu sobre o funcionamento do cérebro, o que permite uma atuação precisa dos profissionais que usam os  conhecimentos da pedagogia, psicanálise, psicologia e antropologia para atuar em consultórios, escolas ou na área de pesquisa. Os primeiros cursos de psicopedagogia no Brasil surgiram na década de 1970 e atualmente são procurados não apenas por psicólogos ou pedagogos, como ocorria antes. Nas turmas formadas hoje em dia em alguns cursos, é possível encontrar administradores, profissionais de RH e até arquitetos.

“A psicopedagogia caminha junto com a psicologia. Não podemos separar o afetivo do cognitivo de uma pessoa, que é única”, resume a psicopedagoga clínica Teresa Messender Andion, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia  e autora do livro “Jogo de Areia”. Na opinião de Teresa, para atuar com êxito nessa profissão é preciso amar a ensinar e a aprender, pois as descobertas sobre uma nova síndrome pela medicina caminham em velocidade acelerada – ao contrário do processo de regulamentação da atividade, em discussão no Congresso Nacional.

Falta reconhecimento oficial
Entre as vantagens de um reconhecimento oficial da profissão está a possibilidade de cobertura do tratamento pelos convênios, ampliando o acesso de pais aflitos com questões ligadas à aprendizagem dos filhos. Regulamentação à parte, o  importante é que essa antiga profissão está legitimada pela sociedade. “Infelizmente, no Brasil, as questões ligadas à educação e à saúde, ainda não são colocadas em primeiro plano pelo governo”, lamenta.

Formada em pedagogia em 1984 e inquieta com a realidade das salas de aulas das escolas públicas e particulares, compostas por crianças que se saem muito bem nos estudos e outras, nem tanto assim, Teresa se enveredou pelos caminhos da Psicologia. Em seguida, optou por um curso de especialização em psicopedagogia, até montar seu próprio consultório, em 2000. Lá, ela tenta desvendar problemas e distúrbios de aprendizagem com o uso de caixas de areia (molhada e seca) em que as crianças depositam sonhos, expectativas e frustrações em forma de miniaturas.

Jogo de areia
É o chamado jogo de areia, que surgiu com o método da psicologia de Jung, adaptado pela psicopedagoga para a área da educação. É essa técnica que dá suporte para a psicopedagoga fazer um diagnóstico e depois intervir no tratamento mais adequado. A brincadeira é séria e envolve uma infinidade de miniaturas.

Trabalho_721 op2Um micromundo, como ela gosta de definir. Há miniaturas de seres humanos de todas as faixas etárias, cadeira, mesa, sofá, carro etc. Sem qualquer regra determinada, a criança deposita nas caixas os brinquedinhos e monta seu próprio cenário. Em todas as sessões, os cenários montados são fotografados e, ao final da etapa de diagnóstico, podem mostrar como os alunos estão pensando.

“A ideia é puxar desses cenários alguma questão ou dificuldade da criança ou adolescente relacionada à escola e aos possíveis problemas que vem enfrentando e que  influenciam o seu desenvolvimento escolar”, explica. E, por se tratar de um jogo que não está pronto, é relaxante, motivador e desperta a atenção das crianças a adolescentes. De acordo com Teresa, questões relacionadas à aprendizagem sempre existiram e sempre a instigaram muito, daí a escolha pela atividade.

Cursos de especialização
“Apenas não eram evidenciadas no passado porque não havia profissionais para cuidar desses casos”, explica. Hoje, esses profissionais existem e multiplicam-se nos vários cursos de especialização espalhados pelo País.

O Instituto Sedes Sapientiae foi um dos primeiros no Brasil a oferecer cursos de especialização na área, há mais de 35 anos. Voltado para as áreas clínica e institucional, tem carga horária de cerca de 500 horas, divididas em quatro disciplinas por semestre que se alternam, mais o estágio. De acordo com a coordenadora do curso, Georgia Vassimon, as buscas pelo aprendizado na área caminham em duas direções: por pessoas que desejam atender na área clínica ou por profissionais interessados em aprimorar a atual profissão.

“São pessoas preocupadas, por exemplo, com a assimilação da mudança de um processo interno, as empresas se interessam cada vez mais com as questões psicológicas e pedagógicas”, afirma.