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Pedagoga revoluciona educação infantil

Maria Amélia Pinho Pereira, a Péo, é o nome por trás da Casa Redonda

por Marcus Lopes
fotos por Andrea Amaral

Quando uma criança nasce, o mundo torna a começar. A frase do escritor Guimarães Rosa inspira e é seguida à risca pela pedagoga Maria Amélia Pinho Pereira. Há mais de 30 anos, Péo, como é carinhosamente conhecida, revolucionou o sistema de educação infantil ao fundar a Casa Redonda, em Carapicuíba, na Grande São Paulo. No local, que atende crianças de dois a seis anos, a regra básica é uma só: incentivar as crianças a brincarem. De preferência, em meio ao verde da natureza.

“A criança brinca porque se desenvolve, e se desenvolve porque brinca”, diz Péo, que buscou na sua infância em Salvador, na Bahia, a inspiração para o modelo de educação infantil que tornou-se referência ao longo dos anos. “Minha primeira escola, aos cinco anos, era próxima à praia. Ali tive o privilégio das professoras nos levarem para brincar na areia. Até hoje me lembro delas colocando um piquete de madeira com corda para delimitar nossos espaço na areia e trazendo água do mar para construirmos nossos castelos e nossas montanhas com as conchinhas que colhíamos da areia”, lembra.

Vera Cruz
Em casa, após as aulas, não era diferente e vida era saudável em uma família de sete irmãos. “Brinquei muito com meus irmãos e vizinhos no quintal e na rua”, lembra Péo, que cresceu, ganhou o mundo e tornou-se pedagoga. Em São Paulo, foi sócia-fundadora do Colégio Vera Cruz, um dos mais conceituados da capital paulista, onde atuou por mais de 20 anos como professora e orientadora.

Mesmo com todo o reconhecimento no Vera Cruz, resolveu partir para novos caminhos. “As limitações do espaço físico com o crescimento da escola me apontaram, após uma experiência na área pública na década de 80, em Salvador, que a presença da natureza é substancial para o desenvolvimento da educação das crianças”, explica Péo.

Maria Amélia Pinho Pereira Péo pedagoga Casa Redonda

“Optei por reinventar uma escola que privilegiasse o direito humano da criança viver a sua infância em liberdade construindo seu próprio caminho de conhecimento que não é outro senão o brincar”, completa. Assim nascia a Casa Redonda, que atualmente conta com 30 crianças.

Brincadeiras levadas a sério
O nome foi dado por um aluno em alusão ao formato da casa onde são desenvolvidas as atividades educacionais. Lá, as brincadeiras são levadas muito a sério, dentro de um conceito onde o ato de brincar é uma linguagem de conhecimento e o processo de iniciação do ser humano vida afora.

“Ainda muito pouco entendida pelos adultos, mas bastante vivido e experimentado por todas as crianças, o brincar, na verdade, é o modo através do qual a criança vai se apropriando do mundo que está à sua volta. É uma linguagem que nasce no corpo e convive com uma noção de tempo e espaço diferente do mundo adulto”, explica a pedagoga.

No dia a dia, as atividades em grupo são incentivadas e cada criança busca a atividade que mais lhe seduz no momento. “O brincar, como diz Mario de Andrade, socializa mais do que uma sessão solene e eu concordo com ele”, diz a educadora. “Elas aprendem, ao brincar, o que é alegria, liberdade e prazer, e não abrem mão desses valores durante as suas vidas.”