Home > Carreiras > Ortodontia > Sorriso bonito é com o ortodontista

Sorriso bonito é com o ortodontista

Profissional destaca relevância do plano odontológico e de trabalhos sociais

por Guss de Lucca

Para alguns a vocação está literalmente na porta ao lado. Esse foi o caso do ortodontista Carlos Henrique Spinosa Bernardes, que aos 16 anos já sabia em que ramo gostaria de trabalhar por conta de um vizinho dentista, que permitia que o jovem acompanhasse alguns atendimentos e despertou nele a paixão por ajudar os outros a sorrirem sem dor e com naturalidade.

Há 16 anos no mercado, Bernardes atende em sua cidade natal, São José dos Campos, onde também presta atendimento gratuito a crianças pelo Projeto Adote um Sorriso, organizado pela Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas. “A ideia é simples: é feita uma triagem pela própria associação, que determina o que cada criança precisa. Então o pessoal acessa a lista de profissionais cadastrados no projeto e a encaminha para o consultório”, explica ele.

Atualmente o ortodontista é responsável por quatro pacientes do Adote um Sorriso. E nada de criança ou adolescente passando nervoso no primeiro barulho do fatídico motorzinho do dentista. “Aqui dificilmente eles sentem dor ou têm medo de sentar na cadeira. Então acabamos virando psicólogos, eles conversam bastante”, brinca ele, que atende clientes dos 12 aos 70.

Tratamentos mais rápidos
Para Bernardes o futuro profissional de ortodontia vai encontrar um cenário em que os tratamentos são mais rápidos por conta de inovações, como os aparelhos autoligados, que resolvem em um ano aquilo que antes era feito em quatro.

“A odontologia se autorregulou. Quando eu me formei havia muita gente e o mercado de trabalho acabou saturado. Hoje o profissional dificilmente sobrevive sem os convênios. Antigamente os planos preenchiam 10% da agenda – hoje, 80% “, comenta.

Se hoje a grande maioria dos pacientes são atendidos através de planos odontológicos, já houve uma época que ele recebeu manga e doce de leite como pagamento. “Em consultórios de amigos em cidades pequenas, como Monteiro Lobato ou Cunha, atendi pessoas de zonas rurais que pagavam com o que tinham”, recorda Bernardes, cuja dica para os iniciantes é saber se planejar e escutar muito.

“Você precisa saber o que o paciente espera do tratamento, tem que escutar tudo, para depois deixar claro o que pode ser feito e qual o caminho para isso. E para tanto é preciso conhecê-lo em detalhes, desde a situação da raiz, passando pela parte óssea até a higiene, para só depois colocar um aparelho. Sem esse planejamento é como tentar consertar um avião sem piloto no ar”, compara.