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A história do office boy que virou CEO

Ex-presidente da Caterpillar recorda sua trajetória de 46 anos na empresa

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

O trabalho como office boy é para muitos jovens a porta de entrada no mercado de trabalho e a primeira oportunidade de mostrar aos outros (e a si mesmos) do que são capazes profissionalmente.

O administrador de empresas Luiz Carlos Calil tinha 16 anos quando se candidatou a uma vaga de office boy dentro da Caterpillar, multinacional especializada na fabricação de máquinas, motores e veículos pesados, na qual viria a se aposentar 46 anos depois na posição de presidente.

“Antes da Caterpillar eu já trabalhava há mais de um ano como office boy no centro de São Paulo, num tempo em que a cidade tinha ares europeus, era segura, boa de andar. Foi meu pai, que trabalhava na Caterpillar, quem me avisou das quatro vagas que estavam abertas para trabalhar no escritório da Vila Leopoldina”, conta.

Disputa acirrada
A disputa, que envolveu 35 candidatos, terminou com Calil em primeiro lugar, sendo alocado para serviços internos. “Eu pedi pra ficar com uma das três vagas de office boy externo, pois gostava de andar na rua, mas não deixaram, pois o melhor candidato seria interno”, explica ele, que logo percebeu as vantagens de estar dentro da firma.

“Minhas lembranças daquela época são as melhores. Era um ambiente de trabalho excelente. Fui percebendo em poucas semanas que ele complementava minha educação de casa, me acrescentava valores – por isso criei raízes na empresa”, recorda Calil, que com apenas cinco meses no cargo foi promovido a arquivista de documentos confidenciais.

A nova posição, de acordo com ele, surgiu por conta de sua postura no trabalho. “Era um trabalho intenso, com muitas correspondências pra distribuir. Mas eu sempre procurei dar o melhor de mim, tanto no aspecto técnico como na conduta pessoal. Fui muito elogiado pois viam que assim que chegava um documento na minha mão eu entregava, não importava se tinha acabado de dar uma volta longa. Essa atitude pautou minha carreira.”

22 promoções
Mesmo no cargo máximo da companhia, uma jornada que contou com aproximadamente 22 promoções, Calil não deixou de aconselhar quem quer que pedisse uma opinião – inclusive, é claro, aos office boys da Caterpillar. “Sempre me colocava no lugar deles, lembrava da dificuldade que era trabalhar de dia e estudar de noite. Queria que eles sentissem que a empresa era uma segunda casa”, diz.

Entre as dicas que o ex-presidente dá aos office boys estão retribuir a confiança de quem os contratou correspondendo às suas expectativas e ter curiosidade em aprender novas atividades,  arrumando tempo para ajudar colegas em outros serviços. “Faça tudo isso, mas sem pensar no cargo seguinte. Mostre ao gestor que você ficaria feliz em exercer outras atividades, mas sem ambição exacerbada. Deixe que as coisas aconteçam naturalmente