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Nutricionista esportivo atua no cardápio dos atletas

Clubes de futebol passaram a incluir profissional nas equipes técnicas

por Guss de Lucca
fotos por Rogerio Montenegro

De que adianta um jogador de futebol que treina, faz musculação, corre diariamente e, na hora da alimentação, abusa de frituras, gorduras e tudo aquilo que só atrapalha seu rendimento físico? Com isso em mente os clubes passaram a incluir nutricionistas nas equipes técnicas, profissionais focados em tudo o que os atletas comem ou deixam de comer – uma tarefa que exige total comprometimento dos envolvidos.

Antes e depois dos treinos no CT do Palmeiras, em São Paulo, os jogadores precisam passar pela nutricionista Alessandra Favano. Com 13 anos de experiência, é ela quem regula os suplementos entregues a cada atleta, todos devidamente registrados em sua planilha de controle. “Aqui a marcação serrada não é da zaga, mas da Alessandra”, comenta um dos diretores.

Influenciada pelo pai, com quem sempre assistiu aos jogos pela televisão, Alessandra caiu de cabeça no universo da nutrição esportiva, passando por clubes como Juventus, Barueri e pela seleção brasileira de futsal.

Importância da alimentação
“Elaboro todo o cardápio e os suplementos dados em cada tipo de treino”, explica ela, insistindo na necessidade de conversar periodicamente com os atletas para conscientizá-los da importância da alimentação. “Organizo palestras pra que eles entendam tudo. O trabalho de nutrição é um trabalho de repetição”, diz Alessandra (foto abaixo).

nutricionista Alessandra Favano

Além disso, é tarefa da nutricionista entrar em contato com os hotéis em que o time se hospeda quando joga em outras cidades, para enviar o cardápio de cada refeição. “Fiscalizo tudo, desde as condições de higiene do lugar até o preparo da comida. Quando viajamos pra fora do País fico atenta nos temperos, pois muitos usam ervas que não fazem parte da nossa alimentação cotidiana”, explica.

Avaliações físicas
Apesar da quantidade de jogadores, Alessandra não deixa de individualizar suas ações, focando nas necessidades de cada integrante do elenco. “Faço uso das avaliações físicas que a comissão técnica me entrega e monto um projeto de acordo com a condição do atleta. Eles tomam suplementos antes e depois de cada partida, além de serem pesados antes e depois do jogo.”

Mesmo não havendo uma média, a nutricionista conta que a variação de perda de peso de um jogador de futebol após uma partida pode ir de algumas gramas até três quilos. “Varia de atleta para atleta. E nisso entram fatores como a posição do jogador, a temperatura do jogo e o grau de estresse, por exemplo. Mas com um bom controle essa variação diminui muito.”

Abrindo novos horizontes
Há mais de 25 anos no mercado de nutrição esportiva, Patrícia Bertolucci (foto ao lado) foi uma das pioneiraPatricia Bertolucci ex nutricionista da seleçãos em implantar o trabalho do nutricionista dentro dos clubes brasileiros. “Trabalhando em academias tive oportunidade de conviver com esportistas e entender melhor a rotina de treinos dos atletas competitivos. Daí surgiu o convite para integrar a equipe do São Paulo”, conta.

O trabalho logo gerou frutos, com a equipe paulistana faturando o bicampeonato mundial de clubes em 1992 e 93. Desse bom momento surgiu a oportunidade integrar a seleção brasileira, na época conduzida pelo técnico Carlos Alberto Parreira. Porém, nem todos receberam com bons olhos o trabalho de Patrícia.

Feijoada no hotel
Sem saber que a comissão técnica já havia comprado ingredientes para servir feijoada no hotel onde a seleção ficaria durante a Copa dos Estados Unidos, em 1994, a nutricionista comentou que não achava o prato apropriado durante uma coletiva de imprensa. “A nutrição esportiva ainda não era tão conhecida e gerava um pouco de resistência por parte da comissão técnica”, recorda ela, que na época deixou o cargo pela impossibilidade de desenvolver um trabalho decente.

Atualmente nas áreas de consultoria e pesquisa, Patrícia acredita que o mercado dos times já incorporou o papel do nutricionista. “Hoje existem mais estudos que comprovam a importância da nutrição no desempenho físico e todas as instituições ligadas ao esporte têm um profissional.”

Aos interessados em fazer parte desse universo ela recomenda dedicação e atualização. “Você precisa estudar muito e ter disposição, pois a nutrição não é uma ciência exata e a cada dia os estudos mostram controvérsias. Praticar uma atividade física também é importante, para entender melhor quais são as exigências que o atleta sofre”, afirma.

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