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Tony Pelosi, luthier. O saber de muitos saberes

Por Lucia Helena Corrêa

Luthier conceituado, hábil na confecção de guitarras, violões e violas de diferentes tipos, ele toca, canta e compõe. Mas, pesquisador apurado das tecnologias aplicadas à gravação e mixagem, faz produção de CDs. Esse é Tony Pelosi. Ao pé da letra, o homem dos sete instrumentos…

Tocar violão, guitarra e, rigorosamente, qualquer instrumento de corda era pouco, para o jovem adolescente carioca da Tijuca apaixonado por aviões que se formou em Economia, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Também se impôs o verdadeiro desafio de vencer a resistência da família – a mãe, professora primária; o pai, militar da Aeronáutica – indo estudar música clássica no Montgomery College, em Washington, Estados Unidos.

No meio do caminho, sem que a família soubesse, Antonio Carlos Coelho Pelosi, o Tony Pelosi, “alugou” a paciência de Othon Gomes da Rocha Filho, professor de violão de um amigo, e tomou as primeiras aulas de música por partitura. Ali, começava a se construir o instrumentista, compositor, cantor e, hoje, o produtor musical especializado em CDs – da gravação à mixagem.

O luthier nasceu nos idos de 1965, quando ele, aos 15 anos, experimentou substituir as cordas de um velho violão por outras, de contrabaixo, então, a carência imperdoável na banda de rock por ele criada com os amigos do bairro. Dois anos mais tarde, às escondidas, resolveu desmontar a guitarra que ganhara de presente. Levou meses para conseguir remontar. Mas, quando, afinal, conseguiu, virou especialista na Fender – a guitarra do Roberto Carlos…

Muitos Saberes

Tony tomou gosto pelo ofício e nunca mais parou, passando a consertar, restaurar e fabricar – desde o tronco até a aplicação das cordas, ajuste e teste – violões e violas nos mais variados sabores. Isso, sem falar nas guitarras e contrabaixos. Hoje, é um dos mais bem conceituados luthiers do mercado nacional.

Coisa mágica essa, de fazer instrumentos: escolher e tratar a madeira, entalhar, colocar na prensa, esperar que tome o jeito, envernizar, aplicar as cordas e ajustá-las até que o som honre a expectativa. Dinheiro? Não se ganha muito, não, descarta Tony. Às vezes, nada. Mas o que se conquista, segundo ele, não tem preço: é o saber formado de muitos, muitos saberes.

“Para construir instrumentos, você precisa ter noções de Física (Eletricidade, Eletrostática e Eletrônica), Química, para bem lidar com tintas e vernizes, e a Biologia dos microrganismos: canso de receber violões completamente desmontados, porque uns bichinhos, aqueles branquinhos que roem os livros, comeram a cola”, conta Tony.

Conhecimentos de Botânica e Ecologia, enfim, diz ele, são essenciais, no mínimo, para que o profissional não contribua para a destruição do meio ambiente, dando preferência à madeira extraída da maneira politicamente correta.

“O luthier precisa, ainda ser hábil no lidar com as madeiras; enfim, craque em marcenaria. Mas também se recomenda que domine uma segunda língua – o Inglês – para poder digerir os melhores textos sobre o ofício”, explica Tony. O essencial, porém, é demonstrar empenho, vocação e talento. “Necessariamente, nessa ordem”, recomenda.

Dicas de carreira do Tony:

  • Paixão. Sem ela, nada é possível; nada tem sabor;
  • Empenho. Sinônimo perfeito de capricho no que se faz, inclui disciplina e treinamento;
  • Talento. Formiga é formiga; passarinho é passarinho. Se a formiga quiser ser passarinho, não vai dar certo;
  • Vocação. Escolha a profissão conforme as suas habilidades. Não force a barra!;
  • Curiosidade e gosto pela atualização. É preciso manter aceso o interesse, estudando e pesquisando sempre.